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Perfect Sense: a carreira de Waters
Roger Waters nasceu em Great Bookham, na Inglaterra, em 9 de setembro de 1943. Aos cinco meses de vida perdeu o pai, Eric Fletcher Waters, que lutava na Itália contra o avanço nazista, durante a 2ª Guerra Mundial. O fato é, talvez, o fundamental para se analisar o comportamento do baixista no Pink Floyd. Ainda criança mudou-se com sua mãe e seu irmão para Cambridge e lá enfrentou os duros anos na escola, com a rígida disciplina britânica na década de 40/50 e com a ausência de um pai. Há, no filme The Wall, uma cena que demonstra exatamente isso. A mãe deixa o menino brincando em uma praça, enquanto vai fazer compras. "Pink", o personagem, tenta andar de balanço, mas não consegue. O pai de outra criança resolve ajudá-lo. Naquele momento, passa pela mente do menino que o homem poderia também ser seu pai e quando vê o senhor de mãos dada com seu filho, Pink corre para ocupar a segunda mão. A tentativa em vão o deixa mais frustado, pois o homem se aborrece e vai embora abruptamente.
Enquanto estava no Pink Floyd, Waters lançou, em 1970, seu primeiro álbum solo. Music From the Body. O álbum tem como instrumentos apenas um violão e cello. O resto dos sons são fornecidos pela anatomia humana. Ron Geesin iria fazer uma trilha sonora para um filme chamado Body, de Anthony Smith, mas precisava de alguém que soubesse compor e chamou seu amigo Waters.
O segundo trabalho é The Pros and Cons of Hitch Hiking, lançado em 1984, logo depois que deixou a banda. O disco é uma espécie de ópera rock, cuja finalidade seria virar um espetáculo teatral. Entre os personagens há desde árabes terroristas até Yoko Ono. Com a participação de Eric Clapton, The Pros and Cons conta os sonhos e pesadelos de um homem durante as 4h30 e as 5h11. O protagonista luta para fugir dos sonhos e não da vida real.
Radio KAOS é o terceiro disco de Waters cujo conceito se desenvolve através do personagem Billy, um garoto que leva uma vida vegetativa. Ao se mudar para Los Angeles, ele desenvolve um sistema de comunicação que lhe permite manter contato com um DJ com quem divide uma grande desilusão com as forças opressivas que dominam o mundo.
O quarto trabalho solo é o mega concerto The Wall – Live in Berlin, no qual Waters, em 1990, apresenta a obra feita com o Pink Floyd, interpretada por diversos artistas. O show foi feito depois que Leonard Chesire, um dos militares ingleses mais condecorado, convenceu Waters a elaborar um show beneficente sobre The Wall. Como naquele ano o muro de Berlim veio abaixo, o local da apresentação ficou estabelecido. Entre os artistas que participaram estão Sinead O’Connor, Marianne Faithfull, Cindy Lauper, Van Morrison, Joni Mitchell, Bryan Adams, Albert Finney e Tim Curry. Duzentas mil pessoas compareceram ao show, enquanto milhares assistiram ao vivo pela televisão.
Amused to Death é o quinto disco de Waters, lançado em 1992. Segundo o próprio músico, a maioria das músicas foram desenvolvidas depois de assistir televisão, dando uma checada no que estava acontecendo no mundo. A obra é caracterizada visualmente por um gorila (metáfora da raça humana) assistindo TV e mudando de canal para encontrar algo de bom. O disco fala sobre governos, guerras, religiões e o entretenimento em massa feito em cima desses assuntos. Participa do disco o guitarrista Jeff Beck.
Marcela Mourão/Redação Terra
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