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A maioridade de um festival pop brasileiro 
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Cássia em uma de suas últimas apresentações
em festivais. (Foto: Daniel Vieira Souza/Terra).
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O Pop Rock Brasil chegou a sua maioridade com seus 18 anos de sucesso acumulado. O festival mineiro descreve na prática a história da música pop brasileira - e continua fazendo isso. Em 2002, o evento traz o novo layout dos Raimundos, com Digão no vocal, a fase roqueira do Capital Inicial - depois do set acústico do ano passado -, a versão desplugada dos hits do Cidade Negra e a volta do RPM e seu shows tecnológico.
Observando os artistas que passaram pelo festival, nota-se que eram os que estiveram na cabeça do público em cada ano de Pop Rock. O motivo é simples: a ecolha se baseava na preferência da audiência, que escolhia por meio de uma votação o cast da festa. Mas voltemos alguns anos...
Quase duas décadas atrás, no mesmo estádio Mineirão, em Belo Horizonte, quatro mascarados usando botas altas e roupas prateadas entraram e mostraram no palco o que seria um show com megaprodução. Era o Kiss, que passou pelo Brasil com seu circo musical. Os padrões nacionais de shows mudariam a partir de então.
Criou-se em Belo Horizonte o Rock Brasil, patrocinado pela Rádio Del Rey, e dois anos antes do festival divisor de águas brasileiro: o Rock in Rio. Mais para frente, o nome foi atualizado para Pop Rock Brasil. Ainda em meio à ditadura militar, em 1983 aconteceu a primeira edição do evento. Os nomes? Não poderiam ser mais representativos: Lulu Santos, Marcelo, Roupa Nova, Marcos Sabino, Boca Livre, Marina, Robertinho do Recife, Herva Doce, 14 Bis, Blitz, Rádio Táxi, Ritchie, Biafra, Guilherme Arantes e Barão Vermelho.
Os iniciantes Titãs do Iê-Iê-Iê
Com o evento ainda não-anual, dois anos mais tarde, em 1985, no Mineirinho, o circo mineiro subiu novamente sua lona. Alguns nomes voltaram e outros fizeram sua estréia no Rock Pop: Rádio Táxi, Herva Doce, Biafra, os Titãs do Iê-Iê-Iê (mais tarde transformado no Titãs), Léo Jaime, Lô Borges, Paralamas do Sucesso, Tunai e Absyntho. Em 1986, mais uma edição, já em plena temporada favorável do novo rock Brasil: Ira!, Garotos de Rua, Biquíni Cavadão, Lobão, Barão Vermelho, Dr. Silvana, Zero, Capital Inicial, Hanoi-Hanoi foram os nomes do Rock Brasil.
Em 1988, o evento voltou. O rock nacional já dava mostras de cansaço e a música estrangeira começava a invadir o gosto dos brasileiros. Mesmo sem a euforia de antes, nomes do mercado ainda resistiam e participavam do Rock Brasil: Obina Shock, Ira!, Zero, Léo Jaime, Evandro Mesquita, Biquíni Cavadão, Agência Tass e Sagrado Coração da Terra.
Quatro anos separou o evento de 1988 do seguinte, em 1992. O local da festa mudara para o estacionamento do Minas Shopping e a decadência do rock nacional podia ser vista no emergente número de artistas de axé music, lambada e pagode na parada de sucessos nacional. A quinta edição traria sobreviventes do rock, uma cantora estreante, Débora Blando, e um grupo pop brasileiro diretamente de Minas que ainda iria aparecer um bocado nas paradas do País, o Skank. Os outros convidados foram: Kid Abelha, Biquíni Cavadão, Capital Inicial e RPM.
Valente, o festival teve sua sexta edição logo no ano seguinte, em 1993, de volta ao Mineirinho. Quatro artistas mineiros se apresentaram (um recorde para a época) e o Skank foi alçado a figura maior do pop brasileiro. Vieram: Paralamas do Sucesso, Virna Lisi, Barão Vermelho, Skank, Easy Rider, Bauxita e Titãs.
Desafio musical: novos artistas
Em 1994, o festival lançava um desafio histórico, convidando bandas em escalada para o sucesso - anos depois, virariam nomes estrondosos da história musical brasileira. Entre eles estavam os Raimundos e Chico Science e Nação Zumbi. Outros: Pato Fu, Virna Lisi, Gabriel o Pensador, Professor Antena e O Rappa.
Um tempinho se passou e em 1997 o evento voltava de cara nova e novo nome: Pop Rock Brasil, já que o rótulo "rock" era agora no Brasil somente um dos que dominavam a cena musical jovem. Um novo local foi eleito pelo festival: o estádio do Independência, que virou casa do Pop Rock até a edição de 2000. Já que o ecletismo havia sido institucionalizado até pela mudança de nome da festa, nada melhor que o elenco de nomes refletir isso: Skank, Pimenta Nativa, Jota Quest, Tonho Matéria, pato Fu, Jorge Ben Jor, Engenheiros do Hawaii, Nepal, Paralamas do Sucesso, Cheiro de Amor, Biquíni Cavadão e Daniela Mercury.
No ano seguinte, em 1988, mais grandes nomes do pop: Biquíni Cavadão, O Rappa, Pato Fu, Jota Quest, Nenhum de Nós, Charlie Brown Jr., Paralams do Sucesso, Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Titãs e Skank. Em 1999, o Pop Rock resolveu homenagear o Legião Urbana e cada um dos artistas participantes tocaram uma música da banda no palco. Versões de Eu Sei, com o Pato Fu, e Que País É Esse, dos Paralamas, emocionaram o público, ainda abalado pela perda de Renato Russo. Os outros convidados: Tianastácia, Titãs, Biquíni Cavadão, Barão Vermelho, Lulu Santos, Charlie Brown Jr, Raimundos, Kid Abelha, Capital Inicial, Wilson Sideral e Cidade Negra.
A edição de 2000 teve como tema a paz, com vídeos e momentos de protesto contra a violência no País. Bandas como Jota Quest, Elétrika, Natiruts, Capital Inicial, Ira!, Tiasnastácia, Radar Tantã, Skank, Jam Pow!, O Rappa, Raimundos, Paralamas do Sucesso, Biquíni Cavadão, Engenheiros do Hawaii, Charlie Brown Jr. e Pato Fu mandaram seus recados.
A edição de 2001 teve mais uma vez um fabuloso elenco de artistas brasileiros - e até internacionais, com a presença do Live e Soul Asylum. Um dos destaques foi o set acústico de Cássia Eller em uma de suas últimas apresentações em festivais, além de uma debochada simulação da "dança da garrafa". Dinho, mesmo se sentindo mal, subiu ao palco com o Capital Inicial. O Skank tocou com o Tianastácia e o Pato Fu mostrou músicas inéditas. Foram 23 horas de shows transmitidas ao vivo pelo Terra, diretamente de Belo Horzitonte, Minas Gerais.
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Redação Terra
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