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Jane’s Addiction e Liz Phair voltam de olho no rádio
Quinta, 26 de junho de 2003, 07h16
O revival do início dos anos 90 ganha força com o retorno de dois ícones da primeira metade da década, o Jane’s Addiction e Liz Phair. A banda de Perry Farrell e a ex-bad girl, que ajudaram a sedimentar a cena do rock alternativo, voltam apostando em uma sonoridade muito mais elaborada – e de olho nas emissoras de rádio. O resultado é misturado: enquanto o Jane’s Addiction consegue manter a identidade no álbum Strays, Phair descamba para o pop comercial no quarto álbum, que leva apenas seu nome. Primeiro a notícia boa. O Jane’s Addiction, que se separou no auge da carreira, depois da primeira edição do Lollapalooza, em 1991, passou o resto da década indo e voltando. Agora, Farrell, o guitarrista Dave Navarro, o baterista Stephen Perkins e o recém-instalado baixista Chris Chaney dizem que o retorno é para valer. Se Strays soa mais sofisticado do que qualquer coisa anterior do grupo (graças à produção de Bob Ezrin, de The Wall, ainda consegue manter o espírito original intacto. O grupo parece ter conseguido tirar o melhor dos episódios dos últimos anos (problemas com drogas, fim do grunge, projetos paralelos dissolvidos, etc) para reencontrar o prazer de tocar juntos. Em entrevista coletiva em Nova York, há poucos dias, Navarro disse que todos eles estão mais "saudáveis e espirituais" e que nunca encontraram a mesma química do Jane’s Addiction em outras bandas. A julgar pelo novo disco, a química realmente ainda está lá – e a dignidade também. Apesar disso, eles dizem não ter problemas em ter adaptado algumas das canções para os padrões atuais das emissoras de rádio. "Aprendemos com os Beatles", disse Farrell. "Eles sempre faziam pelo menos duas músicas para o público e as outras para eles próprios." Liz Phair, que está com 36 anos, parece estar pensando apenas no público. Depois de ser proclamada a estrela do indie-rock por conta do disco Exile in Guyville (uma resposta a Exile on Main Street, dos Rolling Stones), ela passou o resto dos anos 90 tentando recurar a inspiração do trabalho de estréia. Na virada do milênio, depois de dois álbuns mal recebidos, a cantora se casou, teve um filho e se divorciou. Nada mais natural do que tentar se reinventar para conquistar o mercado pop. Assim, Phair foi atrás do trio de produtores Matrix, responsável pelos hits de Avril Lavigne (e que hoje estão trabalhando para Ricky Martin, Britney Spears e qualquer pop star sem inspiração em busca de um hit). Para completar, abraçou a imagem de adolescente revoltada com uma pitada sexy e achou que iria conseguir causar polêmica com letras pesadas. O resultado foi uma enxurrada de críticas negativas. Fãs e imprensa se uniram para acusar a cantora de "vendida" e "desesperada". Quando tenta explicar as opções, a coisa piora: Phair diz ter procurado o Matrix para tentar encontrar a sonoridade que estava faltando em suas músicas –uma afirmação, no mínimo, contraditória, já que os produtores fabricam hits em qualquer gênero musical e programam a personalidade de qualquer cliente pagante. Liz Phair, o álbum, deixa para trás justamente o maior apelo que no início dos anos 90 conseguiu impulsionar nomes como P.J.Harvey e até o Hole, de Courtney Love: a sonoridade suja e a produção lo-fi. A cantora perde, assim, uma boa chance de resgatar a trilha sonora da Geração X. Resta saber como será o novo disco de Love, American Sweetheart, que deve chegar ao mercado até o fim do ano.
Guto Barra/Planet Pop
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