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Concrete Blonde vem ao Brasil e escapa de perturbações mentais

O entrevistado Jim Mankey, Johnette
e o novo CD. (Fotos: Divulgação)

Terça, 30 de julho de 2002, 19h00

Nesse exato instante, se você entrar no site oficial do Concrete Blonde e vasculhar no setor "tour/news" vai ver lá já marcados quatro shows da banda no Brasil. Sim, o grupo de Los Angeles nascido no começo da década de 80, falecido momentaneamente no começo dos 90 e renascido em 2000 com sua formação original está com data firmada para pisar em solo brasileiro. "Não conhecemos nada sobre o Brasil, só o que ouvimos falar de pessoas que tocaram aí", explica o guitarrista Jim Mankey por telefone em entrevista ao Terra. Fora ele, estão juntos novamente a cantora, compositora e baixista Johnette Napolitano e o baterista Harry Rushakoff, que irão trazer para o país entre os dias 7 e 10 de agosto suas antigas músicas e também as novas, do elogiado disco Group Therapy.

Para quem não se recorda, o grupo estourou nos anos 90 com a música Joey, que tratava de um relacionamento interrompido pelo alcoolismo. Com um rock pop suave, tiveram até uma certa mão de Michael Stipe, do R.E.M., na escolha do nome do grupo. A ligação com a banda de Losing My Religion se estendeu até o disco mais bem-sucedido do Concrete, Bloodletting, em que Peter Buck tocou na faixa Darkening of the Light. Mas a história não correu tranqüilamente até o presente momento. O grupo decidiu se separar em 1994. Johnette justificou que queria ver como era a vida fora do rótulo da "vocalista de rock", que com seus 36 anos já era hora para isso. O tempo passou e o vício do rock voltou a picar ela e o Concrete Blonde.

"Eu fritei. Eu acordei um dia e morri. Eu me vi do outro lado. Oh, sim, e a porta estava toda escancarada". Essa é a tradução livre do refrão da música Fried, do novo disco do grupo, Group Therapy, após seus seis anos de afastamento. E ele mostra uma faceta que Jim explicou muito bem ao telefone e que foi um dos fatores da reunião do grupo. Um dia, Johnette apareceu do nada na porta do guitarrista, completamente perturbada, achando que alguém queria matá-la. Ficou na casa de Jim e se tratou. Desse reencontro acabou nascendo Group Therapy (Terapia em Grupo), que descreve muito bem a fase atual do Concrete Blonde.

Confira a entrevista com Jim Mankey:

O que você sabe sobre o Brasil? Vai ser a primeira vez de qualquer um de vocês aqui, nem uma vinda turística?
Sim, claro, é nossa primeira vez no Brasil (risos). Para falar a verdade não sei muito sobre o país de vocês, não sabemos o que esperar. Conhecemos algumas pessoas que foram tocar aí e disseram que foi demais e se espantaram com o conhecimentos que os brasileiros tem em relação a outras culturas.

Vocês têm uma conexão com a música latina bem antiga, iniciada por Johnette, e que culminou na gravação do Concrete Blonde y Los Illegals. Como foi a experiência?
Foi a primeira banda com quem tocamos quando voltamos. Eles já eram famosos. O Los Illegals é uma banda mexicana que mora aqui, em Los Angeles. Nos deixaram tocar com eles e foi muito divertido. Depois de um tempo resolvemos gravar um álbum juntos, Concrete Blonde Y Los Illegals, em 1997. Como vivemos aqui em Los Angeles e aqui é praticamente a cidade que reúne a maior comunidade mexicana de todos os Estados Unidos a influência dessa cultura está por toda parte. É muito bonita, tivemos sorte de morar em Los Angeles.

Existe alguma chance de um projeto similar ao com Los Illegals com alguma banda brasileira?
Sim, claro. Quando estivemos na Austrália, há pouco tempo, tocamos com o Victor Martinez & the Brothers Martinez, que tem algo de flamenco no som, e estamos pensando em fazer um projeto juntos. Na Austrália, por exemplo, tocávamos de estações de rádio e era uma música boa atrás da outra. Aqui nos EUA, trocamos de rádio e é uma porcaria atrás da outra (risos). Acho que no Brasil vai ser como no primeiro caso, estou certo?

Você conhece alguma coisa de música brasileira, tem CDs?
Hum... eu acho que não (risos).

O que a música latina tem que a americana não tem? Tem algo a ver com o ritmo ou é algo mais profundo que isso?
A música latina não tem medo de ser pessoal. A música americana é mais irônica, superficial. Os latinos são mais honestos e para mim música é exatamente isso. São divertidos também. Acho que é uma coisa genética. Isso sem mencionar as letras. Apesar de eu falar muito mal o espanhol até prefiro que seja assim, pois não me distraio com as letras e posso apreciar melhor a música.

Como uma banda desta época, vocês têm algum sentimento nostálgico em relação aos anos 80?
Não. Estou feliz que eles acabaram. Foi uma péssima década em que não se encontra um álbum bom sequer. Às vezes acontecem aqueles eventos de reuniões com amigos de colegial, essas coisas, e me perguntam por que eu não vou. Pro inferno que eu vou! Tive sorte de sair de lá vivo (risos).

Porque aqui no Brasil temos algumas bandas desta década voltando e o público parece apreciar esse retorno. Vocês sentem algo assim?
Realmente uma parte de nosso público de hoje é o que nos assistia no começo de carreira. Mas eu particularmente estou mais preocupado com o que vai acontecer daqui para frente. Vamos tocar antigas canções, claro, não tem como fugir disso. Mas estamos mais entusiasmados com as novas músicas. Não somos o mesmo grupo que éramos nos anos 80 e estou feliz por isso. Estamos nos respeitando mais como músicos e nos divertindo muito. Gosto das antigas músicas, mas prefiro as novas.

Vamos falar de Group Therapy. O que motivou vocês a voltarem e gravarem esse disco? Foi algo movido pela amizade entre vocês três ou o grupo tinha algumas músicas novas e se perguntou "Por que não gravá-las?"
Bom, a Johnette, que morava na praia, apareceu na minha porta um dia. Estava perturbada, achando que tinha gente querendo matá-la. Estava tendo visões, alucinações. Não sei por que ela veio até mim, mas Johnette acabou ficando um tempo comigo. Passou por um psiquiatra e isso ajudou muito. Estávamos completamente fodidos - incluindo eu. Não foi algo como "tínhamos algumas músicas para gravar", foi algo natural.

E vocês estão se sentindo melhores agora?
(Risos). Sim, claro. Estamos muito melhores agora, ocupados tocando por aí. Foi uma boa idéia gravar Group Therapy, estamos mais felizes, pois fizemos um grande trabalho.

Vocês moram em Los Angeles. É um bom lugar para se morar? Como vocês se divertem na cidade?
Sim, moramos. A Johnette nasceu em Hollywood e mudou-se para cá. Depois saiu e voltou novamente com seus cachorros. Ela está sempre voltando para cá. Parece que estamos acostumados com Los Angeles. O demônio vive aqui (risos).

E você tem filhos ou cachorros?
Nem cachorros, nem filhos.

Por que não?
Não sou casado. As mulheres não agüentam ficar muito tempo comigo, não. Acho que nunca vou achar alguém que consiga (risos). Agora gato eu tive um, mas morreu (risos). Não, sério (risos). Agora que estamos em turnê, viajando muito, não tenho como manter um gato, né?

Site oficial da banda: www.concreteblondeofficialwebsite.com

Serviço:
São Paulo
07 de agosto, quarta-feira
Festival Kaiser Music
Local: Credicard Hall
Av. das Nações Unidas, 17955
Telefone: 11 5643-2500
Horário: 21h30
Preços: camarotes, R$100,00, setor II, R$ 80,00, em pé na platéia, R$ 50,00, na platéia superior, R$ 40,00
* A meia-entrada poderá ser adquirida apenas nas bilheterias do Credicard Hall, pessoalmente, mediante a apresentação do documento de identidade e prova da condição prevista em lei.
Censura: 14 e 15 anos permitida a entrada com os pais ou responsáveis

Porto Alegre
08 de agosto, quinta-feira
Local: Anfiteatro Araújo Vianna
Av. Oswaldo Aranha, s/nº - Parque da Redenção
Horário: 21h
Preços: a partir de R$ 20,00
Informações: (51) 3299-0900

Curitiba
09 de agosto, sexta-feira
Local: Moinho São Roque
R. Desembargador Westphalen, 4000 Parolin
Horário: 00h (meia noite)
Abertura da casa: 22h
Preços: a partir de R$ 20,00, à venda nas lojas Armazém do CD e no local
Informações: (41) 333-3964

Rio de Janeiro
10 de agosto, sábado
Projeto Santa Cerva in Concert
Local: ATL Hall
Av. Ayrton Senna, 3000 Unidade 1005 Via Parque Shopping
Horário: 22h30
Preços: camarotes, R$ 80,00, poltronas superiores, R$ 70,00, em pé na platéia, R$ 40,00
* A meia-entrada poderá ser adquirida apenas nas bilheterias do ATL Hall, pessoalmente, mediante a apresentação do documento de identidade e prova da condição prevista em lei.
Censura: Dec 7 a 13 anos permitida a entrada com os pais ou responsáveis legais. A partir de 14 anos desacompanhados.


Ricardo Ivanov / Redação Terra

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