Um professor australiano que procurou por 30 anos um tratamento contra a diabete conseguiu desenvolver uma droga emagrecedora que até agora não apresentou efeitos colaterais. A nova droga, desenvolvida por Frank Ng, da Universidade de Monash, em Melbourne, concluiu com sucesso a fase 2 de testes em humanos e parece ser eficaz. Ela foi feita com base no hormônio do crescimento, conhecido por reduzir a gordura corporal. Caso os experimentos finais tenham resultados positivos, daqui a quatro anos as pílulas estarão disponíveis para milhões de pessoas ansiosas por uma resolução definitiva, simples e rápida do problema da obesidade. O medicamento, chamado de Droga para Obesidade Avançada 9604 (AOD 9604), foi feito com a intenção de combater os problemas de saúde ligados à obesidade, como diabete, hipertensão e doença cardíaca. “Esperamos tornar a sociedade um pouco mais saudável, não estamos preocupados com as pessoas gordas”, relatou Ng à Reuters.
O parceiro comercial da instituição, a Metabolic Pharmaceutical, de Melbourne, tinha anunciado na segunda-feira que a fase 2A de testes duplo-cego com 22 pacientes que receberam a droga, chamada por enquanto de AOD9604, de forma intravenosa, revelou que a droga era segura e tolerável. Os pacientes mais velhos tiveram resultados mais efetivos.
O teste não pretendia medir especificamente a redução da gordura corporal, já que as doses eram pequenas, por isso a média de perda de peso entre os pacientes foi de apenas meio quilo depois de quatro semanas de experimentos.
A próxima etapa dos testes vai usar a droga em forma de comprimidos, para medir os níveis de dosagem. Ng afirmou que planeja passar por todos os procedimentos legais dos EUA para comercializar o medicamento no país, que é o que mais sofre com a obesidade no mundo.
O excesso de peso é uma das principais causas de doenças não-transmissíveis, como a diabete do tipo 2, e pode se tornar a nova epidemia do século 21, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 150 milhões de pessoas têm diabete em todo o mundo e acredita-se que esse número dobre até 2025. Outros milhões de pessoas, que consomem alimentos inadequados e passam muito tempo em frente à TV, têm pelo menos uma “barriguinha” da qual gostariam de se livrar.