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Pergunte aos Pros




Macmania Ombudsmac

É agora ou nunca

Sempre achei que há momentos na vida em que temos que fazer a coisa certa. Aquela hora em já galgamos os piores "degraus", parece que tudo está sob controle mas... Ôps! Um escorregão e a gente põe tudo a perder.
Penso que a Apple brasileira passa por isso: nunca esteve numa situação tão boa e, ao mesmo tempo, tão delicada.
Já conhecia os Mac's de longa data - sou designer, como adivinhou? - e a maçã obviamente sempre foi meu "sonho de consumo", até que, em 1998, comprei meu G3 bege. Que maravilha! Que facilidade de uso, que estabilidade! Nem parece um computador!
Mas, e a velocidade? Obviamente, muito mais rápido que meu Pentium 166 anterior mas, comparado a um Pentium II, a performance não era assim tão superior quanto alardeava a Apple. Veja que estou falando "na prática" e não em dados frios de laboratório.
Com a chegada dos G4, a conversa era "o novo chip de 400 Mhz equivale ao Pentium III de 1Ghz" ou que "é tão rápido que foi proibido em não-sei-quantos-países, pois poderia ser usado para fazer a bomba atômica..."
Velocidade, por si só, não segura a onda nessa corrida tecnológica! Foi só a Apple lançar o G4 para a Intel lançar em poucos meses um Pentium de 1Ghz...
É claro que o desempenho gráfico de um Power PC sempre será melhor que o de um Pentium mas, falando honestamente, um Pentium atual - que custa sempre mais barato que um Mac equivalente -, dá e sobra para vários tipos de tarefa!
E é esse justamente o ponto: está na hora da Apple parar de promover o Mac somente através do seu design e velocidade! Existem outras qualidades nele que pouco são realçadas pelas campanhas e/ou revendas.
Por que não dizer, por exemplo, que um Mac leva muito mais tempo para ficar obsoleto - ou isto por si só não compensaria seu preço mais alto? Por que não mostrar que ele é realmente mais estável que o Windows? Mais simples e intuitivo? Que pode ficar horas e horas ligado sem começar a travar, como o Pentium? Por que não mostrar, comparativamente, que a qualidade de imagem que ele gera é superior? E o som? Mostrar que existem hoje muitos softwares para ele no mercado, etc. E que, para ter um PC de qualidade, mais próximo de um Macintosh, o consumidor terá que desembolsar algo mais do que os R$ 1200 ou R$ 1600 de um PIII...
Alguém aí poderá dizer que o consumidor já sabe disso... Será? Eu sei, nós sabemos mas, e o seu vizinho? Se não fosse o iMac, "aquele-computador-colorido-e-bonitinho", quem saberia? Convencer alguém a comprar um iMac até não é difícil, o problema é convencê-lo a torrar US$ 2500 ou US$ 5000 num G4 Cube ou Minitower.
Sou instrutor em uma famosa empresa de treinamento que, recentemente, adquiriu cerca de quinze G4, divulgou em jornais, está querendo entrar mais fundo nesse mercado, divulgando entre o pessoal que trabalha só com a plataforma Wintel. Mas a Apple precisa se mexer também! Definir melhor sua estratégia. Fazer um marketing de guerra. Algo, guardadas as proporções, como Bill Gates fez com o Win95: muita gente nem sabia o que era um sistema operacional, mas sabia que "o Windows 95 iria tornar o computador muito mais fácil de usar", lembram?.
Há um forte desejo nas pessoas de conhecer o Mac, de comprar o Mac. Mas, pelo que vejo nas lojas, ou até nas revendas on-line, falta um pouco mais de iniciativa. Mais promoções, melhor divulgação. Não adianta só o atendimento! Há lojas que servem cafezinho em bandeja (uma já fechou), há outras onde você só enxerga o vendedor de binóculo... Sites que estão sempre fora do ar ou desatualizados!
Nós que gostamos da maçã sabemos onde encontrar peças e acessórios, mas aquele carinha entusiasmado que compra seu iMac em uma loja de varejo corre o risco de nunca mais comprar outro ou, pior, não recomendá-lo a ninguém.
É preciso mais "pós-venda". É isso que faz a diferença, que deixa o consumidor seguro, satisfeito. E um consumidor satisfeito é o melhor "publicitário" que qualquer empresa poderia contratar - e de graça!

Antonio Carlos L. C. Prado
Designer e instrutor em cursos de Editoração/Web design pelo Senac/SP
antonio@u-net.com.br