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Ouça trechos de músicas inéditas de Kiko Zambianchi
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Música

Ele vai tocando...
Após superar o "trauma" do sucesso com a versão brasileira de "Hey Jude", dos Beatles, em 1990, o cantor Kiko Zambianchi volta à cena com a banda Capital Inicial, produz CD de Tiazinha e compõe com Marcelo Rubens Paiva, com quem divide apartamento

Ana Cristina Aleixo

Priscila Prade
Kiko Zambianchi: “Sou um cara normal, que faz o que gosta e dispõe de uma grana para viver bem."

Diariamente o cantor e compositor Kiko Zambianchi, de 39 anos, deixa o apartamento em que mora com o escritor Marcelo Rubens Paiva, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, e caminha tranqüilamente pelas ruas do bairro.

Com jeito despojado, desfila de jeans e camiseta, e um óculos de lentes amarelas, aliás o único acessório que chama atenção. Mexe com um vizinho, brinca com outro e chega ao destino, três quadras depois, em um sobrado onde funciona o seu estúdio musical. "Sempre tive uma vida normal, nunca fui muito assediado", diz Kiko.

Longe da mídia desde que estourou com a versão brasileira de "Hey Jude", dos Beatles, que fez parte da trilha-sonora da novela Top Model (Globo/1990), Kiko deu um tempo para superar o gosto, meio amargo, daquele sucesso. "Sofri muita pressão das gravadoras, tive medo de não corresponder às expectativas e sumi", lembra o artista, que iniciou a carreira em 1984. "Voltei para casa do meu pai, em Ribeirão Preto (interior de São Paulo), onde passei quase dois anos."

Descendente de italianos, Francisco José Zambianchi virou Kiko na infância. Foi quando herdou o primeiro violão do avô e começou a tocar, por volta dos 11 anos. Aos 23, deixou a casa dos pais, o urologista Geraldo e a dona de casa Wilma, para investir na carreira, na capital. "Meus pais nunca atrapalharam, mas também nunca ajudaram", diz. "No início, eles pagavam o meu aluguel em São Paulo." Dos três irmãos, o caçula José Luiz, o Bolão, foi o único a seguir os passos do irmão, atuando como produtor. "Kiko é um grande talento, um dos melhores compositores do País", orgulha-se Bolão.

FORA DE CIRCULAÇÃO - Ao longo da década de 90, Kiko continuou trabalhando, e muito, compondo e produzindo para colegas, como o pessoal do Capital Inicial. Há três meses, Kiko viaja pelo País com a banda que já vendeu 250 mil cópias do Acústico, CD recém-lançado pelos brasilienses. Nos shows, ele deixa o papel de protagonista para o vocalista Dinho Ouro Preto, que levanta a galera com um de seus grandes sucessos, "Primeiros Erros (Chove)". Mas marca presença com o seu violão e jeito rebelde no palco.

A regravação de "Primeiros Erros", canção lançada em 1984 no primeiro disco de Kiko, alcançou, em duas semanas, o sexto lugar entre as mais tocadas nas rádios de São Paulo, com 20 execuções diárias. Nada mal, levando-se em consideração que a inédita "Amor I Love You", de Marisa Monte, está no topo das paradas com 29 execuções.

"Faço uma participação mais do que especial nesse trabalho", diz Kiko, que não esperava acompanhar o Capital Inicial além do Teatro Mars, em São Paulo, onde foi gravado o programa acústico, no início do ano, para a MTV. "Para mim, tem sido ótimo, andava muito tempo fora de circulação", confessa Kiko.

Dinho e sua banda também voltaram à cena recentemente, em 1998. Depois da separação em 1992, o Capital Inicial vive um doce revival. Graças, em parte, a mãozinha de Kiko. "É uma injustiça deixarem um cara tão talentoso como o Kiko de lado", lamenta Dinho, líder do Capital. "O público vibra quando tocamos 'Primeiros Erros', um dos pontos altos do show."

MESTRE - Outra banda das antigas, o Ira!, também conta com uma das 20 novas composições do compositor no novo trabalho. Além disso, Kiko dá uma força no primeiro CD dos amigos Flávio Politi e Eduardo Costa, da banda Atomix. E, ainda, na nova investida musical de Tiazinha, ou melhor, Suzana Alves. "Ele é um mestre exigente", diz a moça. "É muito sério, disciplinado e toca violão como ninguém", desmancha-se.

Hoje, na hora de compor, Kiko aproveita a proximidade com Marcelo Rubens Paiva, amigo há mais de dez anos. A parceria informal começou quando os dois passaram a dividir o mesmo teto, há um ano. Após se separar da atriz e escritora Ana Claudia Zambianchi, com quem viveu dez anos e tem duas filhas, Ana Júlia, de 9 anos, e Giovana, de 8, o amigo Marcelo o acolheu. Também tem uma filha, Paola, de 21 anos, fruto de um relacionamento de dois anos. "Agora, estou solteiro", diz.

O "casamento" com Marcelo vai muito bem. "Kiko vai ficando, mas mal nos vemos. Quando a gente se cruza, ele sempre pede a minha opinião sobre as letras das canções", diz o escritor. "O Kiko é um cara que mora numa metrópole, mas conserva o jeito de menino do interior", resume. "Não sou famoso nem rico", diz Kiko. "Sou um cara normal, que faz o que gosta e dispõe de uma grana para viver bem."

 




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