Exclusivo Online |
05/10/2001 |
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ESPECIAL
"O
véu dignifica a mulher"
Brasileira
muçulmana, formada em Ciências Sociais, diz que
o Ocidente tem visão distorcida sobre a mulher islâmica
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Fabiana
Fevorini
Brasileira
e muçulmana, Magda Aref Abdul Latif, formada em Ciências
Sociais pela Universidade de São Paulo e membro do Centro
de Estudos e Divulgação do Islã, acredita que
o Ocidente tem uma visão distorcida sobre a mulher muçulmana.
"O Ocidente sempre vê a mulher islâmica como inferior
e submissa, mas o Islã sempre foi uma religião que
inovou no direito das mulheres", afirma.
Apesar de ser de família muçulmana, ela diz que se
tornou religiosa por interesse próprio a partir dos 14 anos,
quando começou a ter aulas de islamismo com um sheik. Magda
é casada há seis anos com um muçulmano e tem
uma filha de três meses. Ela conversou com Gente Online
sobre as mulheres muçulmanas e a visão que o Ocidente
tem da religião.
O
que você acha do tema islamismo ser abordado numa novela brasileira?
Nós temos uma vantagem muito grande que é o fato da
nossa religião, que foi sempre tão pouco conhecida
ou mal conhecida e mal entendida, entrar em todas as casas do brasileiro.
Mas a desvantagem é que, como qualquer novela, ela é
fantasiosa, tem coisas que não correspondem à realidade.
Quais
são esses erros?
Por exemplo, quando o tio dá um tapa na cara da menina. Eu
acho que uma pessoa religiosa jamais teria uma atitude como aquela.
Quando falam da mulher, perguntam se ela é 'prometida'. E
não é assim que acontecem os casamentos. Eu conheci
meu marido aos 14 anos e nós nos apaixonamos. Eu fiquei noiva
os 16 e casei aos 18.
Como
é a vida da mulher muçulmana?
Não existe a mulher muçulmana. Existem as mulheres
muçulmanas. Isso depende de vários fatores como condição
social e país de origem. A mulher muçulmana reza cinco
vezes por dia, mas não são todas que cumprem, como
em qualquer mandamento religioso. No Brasil, nós usamos o
véu num país onde quase não se conhece. Praticamos
as orações, fazemos jejum no mês de ramadã.
As meninas trabalham, estudam, outras são donas de casa,
tem de tudo.
Você
acha que existe igualdade entre homens e mulheres no islamismo?
Isso é um assunto muito discutido. Porque a mulher
muçulmana é vista pelo Ocidente como uma mulher que
tem menos direitos, inferiorizada, submissa? Até pela própria
veste se associa isso. Para o Ocidente o fato da mulher usar o véu
é sempre associado à submissão e ignorância.
Já para a mulher muçulmana o véu é entendido
como algo que a dignifica, dá valor, que impõe respeito.
É uma idéia diametralmente oposta à que o Ocidente
faz do véu e da própria mulher.
Quanto aos direitos e deveres, o Alcorão é bem claro
quando diz que a mulher tem direitos sobre o marido e o marido sobre
a mulher.
O Islã foi uma religião que inovou nos direitos da
mulher em coisas que a Europa só conseguiu há pouco
tempo. A mulher no Ocidente não votava. A muçulamana
tem esse direito desde o surgimento do Islã. A mulher tem
o direito ao divórcio e à herança, o que é
bem mais recente na Europa.
Como
a mulher islâmica é tratada por sua família?
Para o muçulmano é obrigação
do homem sustentar a mulher e os filhos. Isso é um dever
dele. Se a mulher quiser trabalhar fora, esse dinheiro é
dela.
As
muçulmanas podem se produzir, pintando as unhas ou usando
maquiagem, por exemplo?
Está no Alcorão que toda mulher muçulmana
deveria se cobrir com seus véus porque é mais conveniente
para que não sejam molestadas. Isso tem uma finalidade. O
significado do véu é esconder das vistas do homem
tudo aquilo que desperta o desejo. Toda a sensualidade, toda a beleza,
a mulher esconde isso dos homens e restringe isso ao seu marido
e ao ambiente familiar. Na presença dos pais, avós,
tios, sogros, a mulher pode se produzir da maneira que quiser, pode
se maquiar, fazer o cabelo e se vestir da maneira que quiser. O
objetivo é não despertar o desejo de outros homens.
| Foto:
Divulgação |
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Cena
do filme iraniano Tempo de
Embebedar Cavalos |
O
que você acha do domínio da milícia Talibã
no Afeganistão e da vida das mulheres nesse regime?
Olha, sobre o Afeganistão, a gente não sabe
o que realmente acontece lá. Mas, se for assim como está
sendo divulgado na mídia, o que eu tenho a dizer é
que a realidade daquele país passa muito longe do que é
o Islã. O Islã não prega nada daquilo, que
a mulher seja proibida de trabalhar ou de estudar. O Islã
sempre incentivou a busca do conhecimento. O profeta Mohamed diz
que a busca do conhecimento é uma obrigação
tanto para o muçulmano como para a muçulmana.
O
que você acha do cinema iraniano?
Eu gosto
muito. Eu acho que são filmes que convidam o expectador a
refletir sobre o mundo muçulmano. Mas ele não convida
só os muçulmanos. São questões que perpassam
a realidade do mundo todo, como a situação da mulher.
| Sites
divulgam os princípios religiosos |
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O
Centro de Estudos e Divulgação do Islã,
entidade com sede em Suzano, em São Paulo, tem o site
www.islam.org.br
com artigos sobre os princípios da religião,
orações e informações sobre o
islamismo no País.
Totalmente voltado à questão das mulheres no
islamismo o site de Noor
Al-Nissa traz artigos traduzidos para o português
de muçulmanas de vários países explicando
e defendendo a posição da mulher muçulmana.
Muçulmanos interessados em conhecer pessoas da religião
para se casar podem entrar em contato com www.al-usrah.net/matrimonials/.
O site funciona como uma agência de matrimônio
online para adeptos do islamismo.
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