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Música
O brilho de Maria Alcina
continuação
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| Vestida
para apresentar o show Plenitude |
Decidida
a seguir à carreira, Maria Alcina passou a atuar na Brazuca
como secretária e servindo cafezinhos durante o dia e, à
noite, batalhava por um espaço como crooner. "Morei
com amigos e também na casa das pessoas para quem eu trabalhava
como empregada doméstica", continua. "Não
era fácil, pois nem tinha completado 18 anos e, por causa
da idade, não podia cantar em alguns lugares."
A
família em Cataguazes, em especial o pai, que era um apaixonado
por música, se não incentivava, também não
colocava obstáculos à carreira. "A gente que
é de família humilde, batalhadora, tem de trazer o
dinheiro para casa. Não teve muito espanto não, desde
que trouxesse o dinheiro", afirma. "Meu pai já
morreu, mas tenho certeza de que era um grande fã meu."
FIO
MARAVILHA - O estouro veio em 1972, quando Maria Alcina balançou
o Maracanãzinho ao interpretar "Fio Maravilha",
de Jorge Benjor, num festival de música promovido pela Globo.
Se não levou o prêmio principal, foi aclamada pelo
público e passou a freqüentar os mesmos palcos dos grandes
nomes da MPB. Por conta disso, não ficou de fora da mira
da censura e chegou a ser acusada de atentado ao pudor e a moral
da família brasileira.
"Existiam
os cantores e compositores que estavam na linha de frente e os mais
populares que riam e fazim rir, como eu", diz. "Usei muito
essa linguagem do corpo, abusei no visual porque minha bandeira
era a da alegria. Aliás eu não tinha bandeira nenhuma,
era minha personalidade, só que naquela época de ditadura
o 'modo de vida' também era censurado e eu não me
dava conta disso", diz. Por outro lado, sofria crítica
dos colegas que faziam parte da linha de frente nos protestos. "Eles
diziam que eu era muito legal, mas que não era época
para o que eu fazia."
Mesmo
assim, Maria Alcina sentiu na pele o poder da repressão.
Num show realizado em Brasília, ela se apresentava ao lado
de Luiz Gonzaga, Benito de Paula, e Raul Seixas. O terceiro, aliás,
apresentou-se vestido de pijama de bolinhas e, ela, como odalisca.
"A roupa era transparentésima, a calcinha mínima
e o sutiãzinho só tapava o bico do peito. Só
sei que a tevê foi tirada do ar e aí tive de responder
processo", lembra.
Numa
outra ocasião, ela entrou no palco, com uma rosa embaixo
do braço e a comeu. "Quiseram saber o que significava
aquilo e fiquei proibida de tocar minha música durante 20
dias e, a cada show, tinha de ir à polícia para apresentar
o repertório com antecedência."
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| Maria
Alcina canta "Fio Maravilha" no Maracanãzinho |
OUTRAS
ATIVIDADES - Cantora popular, mas com um carreira de altos e
baixos, contou com a tevê para diversificar suas atividades.
Foi jurada de programas como os de Bolinha, Raul Gil, Ney Gonçalves,
Paulo Barbosa e, recentemente, no de Ed Banana, na Record. Nos anos
90, também trabalhou como atriz na peça infantil Luluxa,
de Nuno Leal Maia, e como entrevistadora da extinta Rede Manchete
durante a cobertura do carnaval de 1992.
O
visual espalhafatoso, repleto de plumas e paetês, não
quer dizer que Maria Alcina seja a vaidade em pessoa. Eu me descuido
muito, sou muito doida e fico adiando a dieta", diz. No início
da carreira, chegou a entrar em crise por causa da necessidade de
ter um estilo, chamar a atenção. "Eu não
queria saber de me maquiar e, quando me olhava no espelho, não
me reconhecia e chorava", conta. Mas diziam que se ela não
se produzisse, não se faria notar. Ossos do ofício
e hoje não é nenhum sacrifício.
Casada
pela segunda vez e sem filhos, a garota humilde de Cataguazes mora
confortavelmente num apartamento no bairro de Higienópolis,
em São Paulo. Tem como vizinhos Adriane Galisteu, Jô
Soares e Silvia Poppovic. Para quem nunca pensou em vencer na cidade
grande, Maria Alcina é uma vitoriosa. Talvez, como ela imagina,
tudo tenha sido predestinado. "Apenas segui um dom e, apesar
de tudo, sei que hoje poderia estar contando uma história
bem diferente."
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