Exclusivo Online |
06/03/2000 |
MÚSICA
Nenhum de Nós volta ao eixo Rio-São Paulo
Os
pais de Camila, Camila gravam CD de inéditas, dizem que o mercado
está cansado de músicas com apelo sexual e contam a frustração de
passar por gravadoras pequenas
Betina
Piva
O Nenhum
de Nós, grupo que estourou com a música Camila
Camila no final dos anos 80, está rindo à toa.
A banda comemora 15 anos de carreira lançando seu nono CD
- Histórias Reais, Seres Imaginários - pela
Sony Music.
O
grupo aproveitou o padrinho Herbert Vianna - que o levou à
gravadora e tem participação na música Nego
- e a presença de um publicitário na banda - o guitarrista
Veco Marques -, para diagnosticar uma brecha no mercado musical
que procura por som de qualidade. "Neste ponto estamos na frente,
temos 15 anos de experiência", afirma o baterista Sady
Homrich. "Queremos emplacar, por isso só trouxemos músicas
inéditas", explica Veco.
| Foto:Divulgação |
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Quase
15 anos depois de lançar Camila Camila - um hino da
violência contra a mulher que marcou os anos 80 - o grupo
diz que ainda hoje, a mulher é maltratada pela sociedade
e que o cúmulo desta agressão é se permitir
ser chamada de "cachorra". "Como é que vocês
mulheres permitem isso?", indaga o guitarrista Carlos Stein,
o Esqueleto. "As mulheres são muito melhores que as
imagens exibidas na tevê", completa o vocalista Thedy
Corrêa.
Histórias
Reais, Seres Imaginários repete a fórmula papo-cabeça
para conquistar o público teen. "Queremos conquistar
as Camilas que receberam esse nome em homenagem a nossa música",
conta João Vicente, tecladista.
Na verdade, o grupo não se desfez ou parou de tocar. Só
esteve escondido no sul e distante da mídia. Enquanto as
rádios do circuito Rio- São Paulo nem se lembravam
deles, Porto Alegre os tratavam como ídolos e foi o principal
responsável pelo disco de ouro do CD Acústico Ao
Vivo. "Somos heróis lá. O Nenhum de Nós
está para Porto Alegre, assim como Batman está para
Gotham City", garante Thedy.
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Depois
do rápido sucesso com Camila Camila e Astronauta
de Mármore, que tocaram incansavelmente em todas as rádios
do País, o cerco se fechou contra a banda. Embora se esforçasse,
não conseguia emplacar mais nenhuma música com a mesma
resposta do publico. Nesta época, as emissoras abriram espaço
para o sertanejo e a lambada. No meio deste tiroteio o Nenhum de
Nós, por fidelidade à sua musica, preferiu ser um
grande conjunto em uma gravadora pequena. "A experiência
foi frustrante", conta Sady.
Mesmo
assim, o grupo se manteve com as pequenas quase oito anos, mas o
problema não acabava aí. Segundo eles, diversas vezes
o conjunto se apresentou em cidades que não tinham seus discos
para vender. "Cansamos de produzir material de qualidade que
não chegava ao público", completa Sady.
Até
o fim do mês a MTV deverá exibir o clipe da banda,
gravado na segunda feira, em São Paulo. O show de lançamento
do novo CD será dia 23 de maio, no Ballroom, no Rio de Janeiro.
Para São Paulo, a banda reservou duas canjas por enquanto:
no domingo, dia 20, no Sesc Itaquera, às 14 horas e o programa
Bem Brasil, da Cultura, no dia três de junho. Depois,
é esperar pela turnê oficial.
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