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Drama
A Última Ceia
A ex-modelo Halle Berry ganha o Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação de garçonete que enfrenta tragédia

Mariane Morisawa

A Última Ceia: personagens humanos raros no cinema americano

O roteiro de A Última Ceia, escrito por Milo Addica e Will Rokos e concorrente ao Oscar, foi ameaçado algumas vezes de ser modificado. Não é de estranhar, já que não se furta em mostrar seres humanos cheios de falhas, ou seja, verdadeiros, fato nada corriqueiro no cinema americano. Ainda bem que o suíço Marc Forster, em seu segundo longa-metragem, conseguiu manter o texto intacto.

Indicações
A Última Ceia concorre a Melhor Roteiro Original e Halle Berry concorre ao Oscar de Melhor Atriz

Depois de viverem tragédias pessoais, Hank (Billy Bob
Thornton) e Leticia (Halle Berry) se atiram, por necessidade e desespero, nos braços um do outro. O que eles não sabem é que, apesar de terem passado por dramas parecidos, existem muitos pontos de atrito entre eles. Leticia era casada com Lawrence (o rapper Sean Combs), executado na prisão local sob o olhar do guarda Hank. Ela é negra, e ele, racista. Hank não consegue estabelecer um relacionamento com o sensível filho, Sonny (Heath Ledger). Ela não consegue encarar o fato de o seu garoto estar muito acima do peso. “Um negro não pode ser assim”, diz.

Mas A Última Ceia não é um filme sobre relacionamentos interraciais, nem sobre a denúncia do modo de vida americano. Apresentando os defeitos de Hank e Leticia, a produção não tem intenção de chocar – apesar de suas cenas de sexo terem causado comoção nos Estados Unidos –, mas de emocionar mostrando a dolorosa humanidade dos personagens, com tremenda ajuda de seus atores. Billy Bob comove com seu Hank que não expressa emoções, enquanto Halle Berry, que disputa o Oscar de melhor atriz, dá provas de coragem ao se entregar a Leticia. Ceia humanista