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Animação
Shrek
Ogro feio e porco prova que beleza não é tudo em produção da DreamWorks que compete em qualidade com a Disney

Mariane Morisawa

 

Divulgação
Nada é o que parece:o ogro Shrek conta com a ajuda do Burro para salvar a nem tão frágil princesa

Quem torceria por um herói verde, feio, que tira meleca do nariz e transforma cera de ouvido em vela? Todo mundo, pode acreditar. Primeiro porque a DreamWorks, estúdio de Steven Spielberg, consegue finalmente provar que pode estar à altura da Disney no que se trata de animação - no caso, feita por computadores. O resultado em relação a Formiguinhaz é muito superior: há sombras, os personagens se movem com mais desenvoltura e até os humanos estão bem-feitos.

Indicações
Shrek concorre a Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Animação

Mas não é aí que reside o encanto de Shrek. O filme, baseado no livro de William Steig, não se furta a brincar com os personagens perfeitinhos das histórias infantis - quase todos levados às telas em desenhos da Disney, antiga empresa de Jeffrey Katzenberg, hoje sócio da DreamWorks. Repare: quando o Burro (com voz de Eddie Murphy na versão original) começa a voar como Peter Pan, ele canta a música do próprio desenho.

A história é a seguinte: o ogro Shrek (na versão original, com voz de Mike Myers, e na versão dublada, de Bussunda) vive tranqüilamente em seu pântano até que os personagens dos livros infantis despejados pelo terrível Lorde Farquaad (interpretado por John Lithgow no original) aparecem no seu quintal. O ogro então propõe uma troca: salva a princesa pretendida pelo nobre e recebe seu pântano de volta. A diversão só aumenta, com a subversão de vários princípios básicos dos contos de fada: a princesa indefesa e linda, o dragão, o príncipe encantado e até o final feliz. Tudo para mostrar que não se deve julgar os outros pela aparência. Quem se incomoda com uma lição de moral tão engraçada? O avesso dos contos de fada