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Musical
Moulin Rouge
Nicole Kidman e Ewan McGregor são as estrelas do cabaré apoteótico que tem na trilha sonora sua maior ousadia

Marina Monzillo

 

Divulgação
Nicole em seu figurino deslumbrante: filme em ritmo alucinante coleciona tanto elogios quanto críticas negativas

Pós-moderno, frenético, singular. Extravagante, exagerado, pretensioso. Histérico, deslumbrado, caótico. Desde que foi exibido na abertura do Festival de Cannes deste ano, Moulin Rouge - Amor em Vermelho vem colecionando tanto adjetivos elogiosos quanto depreciativos. As cenas iniciais, de cara, racham opiniões e levam a extremos: qualquer um pode amar ou odiar a produção. Mais ou menos não existe para o musical do diretor australiano Baz Luhrmann.

Mas, afinal, do que se trata esse filme tão controverso? A história é uma tragicomédia banal. O jovem poeta Christian (Ewan McGregor) chega à efervescente Paris de 1900 e se instala no bairro boêmio de Montmartre. Freqüentando o cabaré Moulin Rouge, ele se apaixona pela bela cortesã Satine (Nicole Kidman). O amor tem como empecilho, primeiro, o duque de Worcester (Richard Roxburgh), para quem Satine está prometida. Depois, a tuberculose da qual ela padece.

Indicações
Moulin Rouge - Amor em Vermelho, de Baz Luhrmann. Recebeu 7 indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz com Nicole Kidman, Melhor Maquiagem, Melhor Som, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Figurino

O filme faz parte da trilogia "cortina vermelha" de Luhrmann (a qual também integram Vem Dançar Comigo e Romeu + Julieta - aquele com Leonardo DiCaprio). A trama simples é sempre apenas um pano de fundo nesse teatro cinematográfico montado por ele.

A grande sacada de Moulin Rouge não está na história, tampouco nos cenários e figurinos carregados de purpurinas e brilhos - no melhor estilo barroco. É na trilha sonora que o filme mais ousa. Luhrmann ouviu milhares de canções compostas durante o século 20 para selecionar números musicais que se encaixam perfeitamente nos diálogos dos personagens. Portanto, em uma cena de amor, reconhece-se refrões pops de "All You Need Is Love" (Beatles), "I Will Always Love You" (Whitney Houston), "In The Name Of Love" (U2) e "Heroes" (David Bowie) - mais uma vez, inovação para alguns, heresia para outros.

De A Noviça Rebelde a Madonna, passando por The Police em ritmo de tango, as músicas ganham impensáveis arranjos e competentes interpretações dos atores. Este é daqueles filmes que vale assistir, no mínimo para dar opinião em discussão com amigos da mesa do bar. Turbilhão de cores e sons