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Tragicomédia
O Homem Que Não Estava Lá
Billy Bob Thornton merecia indicação ao Oscar por interpretação de barbeiro passivo

Alessandro Giannini

 

Divulgação
O Homem Que Não Estava Lá: irmãos Coen homenageiam filme noir

Nada mais coerente no novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen do que seu título. O Homem Que Não Estava Lá é Billy Bob Thornton, que interpreta o barbeiro Ed Crane, titular da segunda cadeira na barbearia do cunhado. Ao mesmo tempo em que parece não estar em lugar algum, o personagem de Thornton enche a tela de forma acachapante. É no mínimo injusto que tenha ficado fora da corrida para o Oscar de melhor ator. Se existe uma entre suas interpretações recentes que seja verdadeiramente digna de destaque, é esta.

Indicações
O homem que não estava lá concorre a Melhor Fotografia

Ausente, lacônico e passivo, Ed Crane tem uma rotina modorrenta e sufocante. De casa para o trabalho e do trabalho para casa. Sabe que sua mulher (Frances McDormand) tem um caso com o chefe (James Gandolfini). Mas não mexe uma palha. Até o momento em que lhe é proposto um grande negócio, e ele vislumbra a possibilidade de mudar de vida. Decide, então, chantagear o amante da esposa para conseguir a soma necessária para o investimento.

A partir daí, inicia-se uma sucessão de injustiças em que os envolvidos são punidos por crimes ou faltas que não cometeram, embora tenham toda a culpa no cartório por conta de outras coisas. Faz parte da dinâmica do noir, gênero que os irmãos Coen adoram e que homenageiam de forma especial neste filme. Vale destacar também a brilhante fotografia em branco-e-preto de Roger Deakins, que trabalhou em testes durante cinco anos para obter a textura metalizada e asséptica da imagem. A indicação de Deakins ao Oscar da categoria é a única do filme. O ator que enche a tela