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Ação
Falcão Negro em Perigo
Nicole Kidman e Ewan McGregor são as estrelas do cabaré apoteótico que tem na trilha sonora sua maior ousadia

Mariane Morisawa

 

Divulgação
Falcão Negro em Perigo: soldados americanos são todos heróis, enquanto somalis só gritam e correm para todos os lados

Todo mundo sabe que patriotismo nunca foi artigo em falta no cinema americano. Após os atentados de 11 de setembro, as coisas só devem piorar. Mas é de se admirar o fato de um inglês também conseguir cometer patriotadas. Em Falcão Negro em Perigo, que teve sua estréia antecipada para aproveitar a onda patriótica, Ridley Scott conseguiu. E o mais incrível: com uma história em que os Estados Unidos fracassaram.

Indicações
Falcão Negro em Perigo, de Ridley Scott. Concorre ao Oscar de Melhor Diretor, Melhor Som, Melhor Fotografia

Em 1993, boa parte da população da Somália estava morrendo de fome devido à guerra civil. Os comboios da ONU que levavam comida eram interceptados pelos guerrilheiros. O presidente americano Bill Clinton decidiu intervir, deslocando soldados para a capital Mogadíscio. Numa ação que deveria resultar apenas na prisão de comandantes do principal grupo, dois helicópteros Falcão Negro foram abatidos, 18 americanos morreram e mais de mil somalis pereceram. Um desastre total. Meses depois, os americanos se retiraram - algo que virou motivo de chacota até para Osama Bin Laden em seus discursos anti-americanos.

Atores de carisma como Josh Hartnett (Pearl Harbor) e Ewan McGregor (Moulin Rouge) ficam perdidos na multidão de personagens. Ainda assim, os americanos pelo menos têm alguma personalidade: não deixam companheiros para trás, alguns são idealistas, outros, cínicos e, claro, todos são corajosos. No caso dos somalis, eles se transformam numa massa única, em que todos são maus, gritam e correm para lá e para cá. Salvam-se as ótimas cenas de ação, que levam a marca de Ridley Scott (Gladiador e Blade Runner). É pouco para um filme que pretendia concorrer a vários Oscar. Disputa apenas quatro, o mais importante para o diretor. Vai ver nem a Academia suportou tanta babação de ovo. Patriotada até na derrota