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Comédia
Os Excêntricos Tenenbaums
Gene Hackman brilha sozinho em filme sobre família disfuncional

Alessandro Giannini

 

Divulgação
Os Excêntricos Tenenbaums: comédia original cheia de gente esquisita

Família disfuncional, os Tenenbaums têm um pouco de todos nós. Pais separados, irmãos estranhos, carências de sobra, amor excessivo saindo pelo ladrão. Só não encontram pares na realidade absoluta porque são estranhos além do limite do bizarro. Eles estão em Os Excêntricos Tenenbaums, segundo longa-metragem do americano Wes Anderson (Três É Demais), que concorre ao Oscar de melhor roteiro.

Os Tenenbaums vivem em um período vago, difícil de identificar, por exemplo, pelas roupas, uma mistura da moda dos anos 70 com o kitsch assumido. E habitam uma Nova York de mentirinha, onde os "yellow cabs" dão lugar a táxis guiados por ciganos. Os pais (Anjelica Huston e um Gene Hackman em estado de graça) se separam, dando origem a uma crise familiar que desperta os fantasmas dos três irmãos (Gwyneth Paltrow, Ben Stiller e Luke Wilson). Quando a mãe decide se casar com o contador (Danny Glover), o pai tem uma crise de ciúmes e resolve se reaproximar.

Narrado de forma quase literária, o filme expõe as mazelas de uma convivência familiar sem passar pelo filtro da normalidade. Expõe excentricidades sem medo do ridículo. Ao contrário: intensifica o que há de mais estranho nesse tipo de relação incondicional. Por isso, não deve agradar a todos. Mas que é original, isso é. De perto, ninguém é normal

Indicações
Os Excêntricos Tenenbauns, concorre a melhor Roteiro Original

Denzel Washington, sempre elogiado por suas atuações, de Malcolm X a Hurricane, faz o primeiro vilão de sua carreira em Dia de Treinamento. E com igual ou maior competência do que em seus trabalhos anteriores, o que lhe rendeu sua terceira indicação ao Oscar de melhor ator principal - até hoje, ele levou apenas a estatueta de coadjuvante por Tempos de Glória, em 1990. Se bem que vilão não é o termo mais adequado para seu Alonzo cheio de nuanças, que ora conquista a simpatia, ora provoca repugnância. Mas, como é costume do cinema americano, o que era cheio de tons de cinza se torna preto e branco, bem contra o mal, lá pelo final. Denzel consegue, ainda assim, deixar perguntas para o espectador: é possível permanecer puro trabalhando nas ruas? Será que, um dia, Alonzo não foi idealista como o novato? Jake não vai se tornar um Alonzo? Como disse Julia Roberts, não é mesmo possível que ela tenha um Oscar e esse homem não. Dez para Denzel