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Maria Gadú
"Não posso decepcionar"
Tatuagens com seu nome nos braços das fãs, shows lotados, apresentações com Caetano Veloso. Com pouco mais de um ano de carreira, a cantora fala sobre o sucesso

Mauro Ferreira

“ACHO QUE VIREI MÃE”, brinca Maria Gadú, 23 anos, ao se pegar ralhando com Cachaça, sua cachorra, uma pug de dois meses. A cantora e compositora paulistana também tem outra “filha”, Cuíca, uma labrador que mora com dona Neusa, mãe de Gadú. O comentário, feito quando a artista se preparava para posar para fotos, traduz a intenção de preservar seu humor e seu cotidiano em meio à exaustiva rotina de viagens e hotéis que já a levou a uma recente estafa. O sucesso veio com o primeiro disco, lançado em meados de 2009, gerando turnê que já contabiliza mais de 100 apresentações anuais.
Grande revelação da música brasileira naquele ano, Gadú vai sair de 2010 com status aumentado pela miniturnê que faz com Caetano Veloso. Duo, o show de vozes e violões, estreou em Salvador no último dia 7 em rota que passa por São Paulo (dia 24, na Via Funchal), Belo Horizonte (dia 26, no Chevrolet Hall), Rio de Janeiro (dia 5, Citibank Hall) e termina no Recife (dia 9, Teatro Guararapes). A gravadora Som Livre também põe nas lojas em breve o DVD e o CD Multishow ao Vivo, que registra um dos shows feitos por Gadú pelo Brasil, com casas lotadas e fãs ensandecidas que já chegaram a tatuar o nome da cantora. Um ano e 100 mil discos depois, ela faz um balanço desse momento áureo. Com o mesmo jeito informal de seu apartamento, onde se veem violões e uma recém-adquirida guitarra pelo chão, a artista conta que recebe fãs em casa, mas aprendeu a colocar um freio no assédio, e que ainda se pega surpresa ao dividir o palco com Caetano.

Você vive há um ano e meio uma rotina de shows lotados, músicas no rádio, nas novelas. Em que momento percebeu que o sucesso tinha chegado?
Essa ficha ainda não caiu (risos). Talvez eu tenha me acostumado com uma série de coisas que não faziam parte da minha vida, com a maratona de shows, como conhecer mais pessoas.

Houve algum momento difícil na adaptação a essa nova rotina?
Há pouco tempo, tive uma estafa. Uma série de coisas já estavam comprometidas por conta da rotina violenta de shows. Exigi demais de mim. Fui passar o som no Prêmio de Música Brasileira e, quando voltei para casa, desmaiei no banheiro. Fiquei quatro dias de cama, como se tivesse morrido. Foi horrível, uma sensação de impotência... Fiquei arrasada porque queria ir ao prêmio homenagear a Dona Ivone Lara.

‘‘Elas desmaiam, choram, invadem hotel. Já vi mais de 30 tatuagens do meu nome”

Você já se recuperou totalmente?
Demorou um mês para eu me recuperar de verdade. Já voltei à rotina de shows, viagens, mas agora estou me cuidando melhor, procuro ter boa alimentação, dormir mais.

Quando percebeu que tinha um fã-clube que a segue?
A primeira vez foi no lançamento do primeiro CD, na Varanda do Vivo Rio (casa de shows carioca que abre sua varanda para apresentações de artistas de público mais reduzido). Tinha um monte de gente e o trabalho nem tinha sido lançado.

 

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