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| O filme tem cenas raras de arquivo e de vídeos caseiros e mostra um Senna idealista, ligado à família e exercendo sua paixão |
★★★ DOCUMENTÁRIO
VIVIANE SENNA NÃO CONTEVE AS LÁGRIMAS na premiére do documentário Senna, sobre o irmão e ídolo da Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva. O evento foi marcado pelo clima de comoção, principalmente de repórteres esportivos que acompanharam os feitos do tricampeão mundial. Faz 16 anos que a Williams que ele pilotava se chocou contra o muro de concreto da curva Tamburello, do Circuito de Ímola, em San Marino. E as imagens do acidente que o matou, aos 34 anos, falam por si. Foi com a ideia de contar a história do mito por meio de cenas raras de arquivo e de videos caseiros – mais do que por depoimentos de terceiros –, que o diretor britânico Asif Kapadia realizou um notável retrato de Senna, conduzido pelo próprio piloto.
Não é a primeira vez que a família Senna considera levar a trajetória do campeão para as telas. Em 1996, o astro Antonio Banderas tentou alavancar e estrelar uma versão ficcional, que não saiu do papel. Kapadia ressalta que a vida do piloto é tão espetacular que o roteiro escrito por Manish Pandey (fã fanático) segue a estrutura clássica do filme hollywoodiano. “Temos a ascensão, o sucesso e os desafios que encara quando chega ao topo”, diz. Senna – que completaria 50 anos em 2010 – surge como um herói carismático, que se lança em uma odisseia para alcançar a razão primordial que o levou às pistas: correr. Há impressionantes e inéditas cenas de bastidores que revelam que os maiores obstáculos estavam muito além da rivalidade com o companheiro na McLaren, Alain Prost. Ele parece consumido pelo jogo político, os mandos e desmandos do então presidente da FIA, Jean-Marie Balestre – um legítimo vilão.
Senna é filme para fãs, feito por fãs. Homenagem assumida, sim, mas eficiente também como cinema. A narrativa ágil, vibrante, se debruça sobre o jovem idealista, profundamente religioso e ligado à família, que lutou como poucos para exercer sua paixão na forma mais pura, foi vencido pelo sistema e pagou com a própria vida. Com uma trajetória assim, quem precisa de ficção?
(Classificação indicativa: a conferir)