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Eleições
Nunca na história deste país
Enérgica, durona, vaidosa e grande amiga do ex-marido. Eleita por quase 56 milhões de brasileiros, aos 62 anos, Dilma Rousseff é a primeira mulher a subir a rampa do Palácio do Planalto como presidente do Brasil

Por Silviane Neno

Com o presidente Lula, num momento de carinho. “Nós ganhamos juntos, presidente”, disse ela ao telefone, logo após a confirmação do resultado das urnas

Agripino, a certa altura, citou uma entrevista de Dilma ao tratar dos anos de chumbo, tentando colá-la à pecha de mentirosa. “A senhora mesmo já disse: a prisão é uma coisa em que a gente se encontra com os limites. Nos depoimentos, a gente mentia como doido, mentia muito, mas muito”, lembrou Agripino. “Tenho medo de estarmos voltando ao regime de exceção.” Dilma, ainda com os cabelos soltos e usando óculos, em seu estilo anterior, enfureceu- se e produziu um grande momento de Brasília, a ponto de fazer Agripino encolher na cadeira. Disse Dilma, ao misturar a lábia discreta de quem nasceu em Minas Gerais com a retórica aguda de quem se formou no Rio Grande do Sul de grandes oradores: “Tinha 22 anos, fiquei três anos na cadeia, e fui barbaramente torturada. Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogadores compromete a vida de seus iguais, entrega pessoas para serem mortas. Me orgulho muito de ter mentido, porque mentir na tortura não é fácil. Agora, na democracia se fala a verdade. Diante da tortura, quem tem coragem e dignidade, mente.” Houve silêncio na sala.

Dilma Rousseff é assim. Capaz de desconcertar um homem sem alterar a voz e ao mesmo tempo ouvir os conselhos do ex-marido, com quem se relaciona muitíssimo bem. E tem coisa mais civilizada que ser amiga do ex? Araújo, que foi casado com Dilma, pai de sua única filha, a conheceu na militância do Var-Palmares. Foram presos no mesmo ano, 1970, e durante um período, no mesmo presídio Tiradentes, em São Paulo. Depois de quase três anos, Dilma foi solta. A raújo permaneceu por mais dois. Ela o visitava sempre, às vezes acompanhada dos sogros. Levava jornais e livros escondidos. Entrava na fila como dezenas de mulheres comuns. Estava ali, acima de qualquer atitude revolucionária, mas como a companheira fiel de um homem no cárcere. Araújo reconhece nela a braveza de quem sabe o que quer e a respeita sem concessões. “O temperamento de Dilma sempre foi forte, desde que a conheci com 19 anos”, disse ele em sucessivas entrevistas. “Mas isso não impediu que nos déssemos bem. Sempre foi muito carinhosa e querida comigo. Ela é transparente, companheiraça. Eu me considero membro da família da Dilma, como se fosse irmão dela.” Na noite de 31 de outubro ele estava lá, pertinho, aplaudindo a ex-esposa, mãe de Paula e avó de Gabriel, a mulher que sucedeu Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência do Brasil.

 

 

 

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