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Eleições
Da bata colorida ao terninho bege
A transformação de uma imagem: de ministra tecnocrata à elegante candidata de cabelos bem cortados, Dilma conseguiu suceder Lula

Por Bianca Zaramella


Foto: André Dusek / EFE

Dilma Rousseff não conteve a emoção na noite do domingo 31 de outubro. Aplaudida de pé, a primeira mulher eleita presidente do Brasil mandou seu recado às brasileiras: “Eu gostaria muito que os pais e as mães das meninas pudessem olhar nos olhos delas e dizer: “Sim, a mulher pode”. Dilma falava com a segurança e a autoestima de quem se acha pronta para assumir o novo desafio. Com fama de mulher dura e sem carisma, a candidata sabia que precisava mudar para conquistar seus eleitores e não mediu esforços para construir uma nova imagem. Ainda em 2008, quando alçada à candidatura, Dilma perdeu dez quilos, fez um tratamento dentário para ter um sorriso mais harmônico e foi treinada pela jornalista Olga Curado para se posicionar de forma mais positiva diante das câmeras. Em seguida passou por duas cirurgias de blefaroplastia (cirurgia das pálpebras) e um lifting (esticamento da pele). “Não tenho vergonha. Tinha que ser muito insegura para não me decidir pela plástica”, justificou ela na época. Com a ajuda de Marta Suplicy, atuante ao seu lado no partido, Dilma deu início a visitas periódicas à dermatologista para cuidar da pele.

Assumir o câncer publicamente humanizou a candidata e criou uma imagem de mulher batalhadora. Em maio de 2009, a então ministra-chefe da Casa Civil se recolheu para o tratamento e ressurgiu usando uma “peruquinha básica”, como ela mesma definiu, e lentes de contato no lugar do tradicional óculos de grau. “Na vida, a gente enfrenta desafios. Esse é mais um deles”, disse. Passada a quimioterapia, Dilma prosseguiu como pré-candidata com o desafio de mudar o visual. Os ternos mal cortados e as blusas coloridas de babados não agradavam. Em fevereiro de 2010, com a confirmação oficial de sua candidatura, João Santana, marqueteiro da campanha, se encarregou de criar a imagem da nova Dilma. O penteado foi o primeiro passo. O cabeleireiro Celso Kamura, que já assinava o visual de Marta Suplicy, foi escalado. “Quando o João me convidou fiquei superapreensivo e preocupado. Sabia que geralmente as mulheres se apegam ao cabelo após a doença então, tinha medo de ela não me deixar cortar, mas foi tudo bem”, conta Kamura. O primeiro encontro aconteceu em Brasília, na casa de Dilma. “Achei que seria uma burocracia, mas ela foi supertranquila. Levei as minhas coisas e uma assistente. Dilma me recebeu, eu contei da minha proposta para o corte e a cor e fizemos tudo lá, no banheiro da casa dela.” O corte escolhido valorizou o rosto da candidata e Kamura ainda sugeriu que ela tirasse um pouco a sobrancelha para deixar o olhar mais suave. O cabeleireiro conta que se inspirou na estilista venezuelana Carolina Herrera. “Dilma não é uma mulher muito vaidosa. Ela é prática e não gosta das coisas que demoram muito, mas é supersimpática e aceita todas as minhas sugestões.”

Foi Kamura também quem indicou Alexandre Herchcovitch para assinar o guarda-roupa da candidata. O encontro de Dilma com o estilista aconteceu no final de agosto, um pouco antes do desfile dele em Nova York. “Acho que talvez essa correria tenha atrapalhado o contato dos dois”, disse Kamura. Herchcovitch chegou a divulgar com euforia no Twitter uma foto sua tirando as medidas da candidata, mas a parceria desandou. O comunicado oficial de que a parceria não prosseguiu foi divulgado pela assessoria do estilista em 1º de outubro. O motivo seria problemas com agenda. Nos bastidores, contudo, teria sido um caso típico de incompatibilidade de gostos. Dilma não aceitava nada do que lheera apresentado e nem concordava em deixar de usar o que já tinha no armário. Superado o incidente, a figurinista Tatá Nicoletti foi escalada, com algumas orientações de Rose Paz, assessora pessoal de Dilma. “Quem assina o figurino de toda a campanha é Tatá, mas a Dilma tem muita opinião própria. Muitas coisas que ela usa são dela mesma, a Tatá é só a figurinista oficial”, entregou ainda Celso Kamura. Tatá explica: “Nossa preocupação era não descaracterizá-la. Dilma gosta exatamente do que vocês viram durante a campanha: terninhos, jaquetas e camisas. Ela é básica, clássica e tem conhecimento das cores que lhe caem bem”. A figurinista contou ainda que para enfrentar o segundo turno, a candidata deu preferência às camisas por serem mais leves, mas também não dispensou o blazer. “As peças estruturadas são ideais para ela pois alongam a silhueta. Peças sem estrutura e de volumes como babados não a favorecem. Dilma não usa nada com que não se identifique, ela é autêntica”, completa. Sobre os cuidados com o corpo, nada complicado. Segundo sua assessoria de imprensa, a presidente não tem personal trainner nem nutricionista. Seus cuidados se restringem a caminhadas diárias de uma hora com Nego, seu cachorro da raça Labrador, herdado da residência do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. A preparação para encarar a maratona da campanha resumiu-se a comer sem excessos, evitando gorduras e doces, mas sem dietas. Hoje, aos 62 anos, Dilma Rousseff é uma nova mulher, que soube se reinventar.

 

 


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