TEMPO, ANIMAIS E MÚSICA
Nos filmes, somente três coisas não obedeciam à vontade de Kurosawa: o tempo, os animais e a música. Nesses casos, era esperar ou desistir. E claro que Kurosawa não desistia. Ele esperava. Pelo tempo, até quando o orçamento permitisse. (...) Quanto aos animais, havia sempre a possibilidade de contratar substitutos. (...) Durante as filmagens, Kurosawa ouvia discos (...) à procura de material para utilizar nos filmes.
ACESSO DE FÚRIA
“Essa aqui era a cena que eu queria ter filmado!”, disse sacudindo as folhas. Afastou para longe o prato de mingau de arroz. (...) pegou as folhas e rasgou-as em mil pedaços, que atirou no chão. Ajoelhei para apanhar o papel rasgado quando ouvi: “O que é isso? Droga!”. Kurosawa arremessou o prato de mingau na minha direção. (...) estava à beira do abismo, cansado de tanta ansiedade e solidão.
DROGA NA BANDEJA
Naquela época, metanfetamina ainda não era proibida. Seu uso era permitido em público, inclusive nos estúdios. Quando atravessávamos a noite em claro, o encarregado da produção trazia cápsulas de metanfetamina e seringas numa bandeja, e nos oferecia sem cerimônia: “Deseja que injete pra você? Não?”, e seguia seu caminho.