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Estilo casa
A casa do DJ
Renato Ratier, um dos nomes mais importantes da house music no Brasil, vê São Paulo do alto de uma cobertura no 27o andar cercado pelas referências que compõem seu universo musical

Silviane Neno Fotos Marcelo Navarro/Ag. IstoÉ

 

Ao lado, o cabide com ganchos feitos com patas de bode. Na foto maior, Renato Ratier aciona os botões da sua pick-up particular. É ali que acontecem os warming com os amigos para as noites da D-Edge. Atrás dele, o móvel sob medida para acomodar a coleção dos discos em vinil. A tela maior, também foi feita sob encomenda. Natureza exuberante para a paisagem urbana

 

Às onze e meia da manhã o omelete permanece intacto na mesa preparada para o café matinal. O dono da casa continuava no andar de baixo, ao telefone. O fato de ser DJ e dono de um dos clubes mais fervidos da noite de São Paulo, a D-Edge, não implica dizer que Renato Ratier acorde tarde todos os dias. Pelo contrário. Antes de viver a noite, ele consome o dia, ou é consumido, por tudo o que envolve os seus negócios. O décor da cobertura no bairro de Perdizes, zona oeste de São Paulo, dá pistas da sua segunda atividade. Ou melhor, do primeiro e genuíno negócio da família dele. Ao lado da pick-up armada na sala há um cabide feito a partir de patas bode, o saco de boxe pendurado mais adiante foi forrado com pele de couro de vaca e a enorme tela em uma das paredes mostra uma bucólica paisagem envolta por uma vegetação tão virgem quanto a ficção do lugar.

Antes de ser uma referência na música eletrônica, Ratier é herdeiro de um clã de fazendeiros em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, lugar onde nasceu e cresceu cercado por esses elementos, que hoje ele tenta trazer para a metrópole paulistana. Desde que abriu o D-Edge na Barra Funda, há sete anos, as temporadas na cidade passaram a ser mais longas e Ratier decidiu ter um espaço definitivo com o seu jeito e suas referências.

A cobertura de 400 metros quadrados foi pouco modificada na sua geografia, mas a decoração tem pegada singular. Só conhecendo um pouco da história dele, dá para entender melhor aquela conversa entre universos tão diferentes. Nos anos 90, em Campo Grande, Renato trabalhava nas fazendas da família, mas era o cara que trazia para a cidade o sopro moderno dos grandes centros urbanos. Cada vez que desembarcava de uma nova temporada fora, ele inventava algo especial. Teve loja de discos, café, criou uma marca de roupas, uma multimarcas, produzia fanzines e programas de rádio – até criar sua obra-prima particular, a D-Edge, que virou referência de vanguarda no centro-oeste. Enfim, era ele quem fazia a cabeça de uma legião de jovens ávidos por novidades. Mas gente inquieta é assim mesmo e Renato queria mais.

A abertura da D-Edge em São Paulo selou a relação permanente com a cidade. O apartamento foi então pensado para reunir esse mundo variado de escolhas numa ilha de conforto. Ratier é apaixonado por design e se pudesse, acordaria ainda mais cedo para conseguir ir a feiras, leilões, lojas e promover seus achados. É capaz de loucuras quando se encanta por um objeto. Foi assim com um capacete da Louis Vuitton. Ele estava numa turnê como DJ na Europa quando viu numa loja em Paris e não teve dúvida: arrematou. Duro foi viajar mais 40 dias carregando o capacete na mão. Não foi à toa que ele foi parar na estante da sala, exibido como um troféu.

A amiga e arquiteta Marina Linhares ajudou no projeto da casa paulistana, mas a palavra final era sempre dele. O clima da copa e de quase todo o apê foi concebido a partir de duas cadeiras pintadas com as figuras de uma onça e um tigre. Ratier cismou que elas deveriam compor uma mesa refletida por um espelho. Assim foi. O móvel para acomodar as centenas de discos de vinil resultou numa briga com o marceneiro – situação clássica e da natureza das relações entre clientes e marceneiros – mas com Ratier a discussão foi puramente estética: a moldura deveria exibir os discos como obra de arte e não simplesmente guardá-los. Objetos, móveis e quadros tem forte pegada 70 e flerta com o kitsch de forma explícita – mas há muito de personalidade e de bom gosto. Só mesmo quem não tem medo de ousar é capaz de usar samambaias em arranjos de flores e encomendar uma tela com árvores e cachoeiras e plantá-la na parede principal da sala. Mas o quadro representa a relação de Ratier com a terra, o pé no chão de alguém acostumado a voos altos. Viagens sempre traduzidas em ideias à frente do seu tempo. Algo como uma conexão entre a natureza e a criatividade. Aliás, o melhor ângulo para se olhar o quadro é de um banquinho dourado, do lado esquerdo, assinado por Philipe Starck.

 

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