- Anuncie
- Assine

   
 
Música // Home
 
- Edição Atual
- Anteriores
 
- Imagens
- Frases
- Urgente
- Moda
- Estilo
- Fernanda Barbosa
- Paulo Borges
- Agito
- Aconteceu
- Celebridade
- Reportagens
 
- Cinema
- Música
- Livros
- Teatro
- Gastronomia
- Televisão
 

Atualize-se com a
IstoÉ Gente!




- Fale Conosco
- Expediente
- Anuncie
- Assine
- Loja 3
 

 


Música
Estreando como intérprete em Ária, Djavan conta sobre a dificuldade de escolher as músicas que gravou, como o sambacanção que a mãe dele costumava cantar quando ele era criança, e lembra os tempos de crooner nas boates cariocas

Mauro Ferreira

O seu canto soa extremamente leve no disco. Isso foi intencional?
Fiz esse disco de forma diferente. Normalmente, a gente grava as bases, cria os arranjos e só depois põe a voz. Em Ária, optei por gravar primeiro a voz e o violão definitivos. Então, fui adicionando outros instrumentos. Mas escolhi uma instrumentação em que pudesse experimentar uma sonoridade diferente, saindo da zona de conforto. Na “Valsa Brasileira”, por exemplo, quis tirar a densidade e a dramaticidade da música do Chico (Buarque) e do Edu (Lobo). Mexi no andamento e deixei a música mais leve. Para um compositor, não é fácil fazer um disco de intérprete, mexer nas músicas dos outros. Quando canto músicas minhas, preciso apenas seguir a melodia que saiu de mim, de minha alma. Com músicas dos outros, tive de colocar meu canto à disposição delas de modo a me desvincular do que já existe de pré-concebido em relação a essas músicas.

‘‘A minha família queria que eu fosse militar (...). Tinha 16 anos e estava desesperado. Então, fugi de casa. E chorava muito, sozinho, ouvindo ‘Nada a nos Separar ”

Que balanço faz do período em que foi crooner na noite carioca?
Foi uma espetacular escola de canto. Aprendi a usar minha voz ali. Trabalhei com o (pianista) Osmar Milito. Ele adorava que cantasse em tons agudos. Eu gostava, mas sofria na época porque já era compositor e não tinha oportunidade de mostrar as minhas músicas. Depois do festival (Abertura), se eu pudesse, já não cantava mais em boate. Mas foi um período em que eu precisava me manter, tinha dois filhos, o mercado de discos era pequeno e somente comecei a ter minha independência artística com o sucesso de “Meu Bem Querer”, em 1980.

Ainda sente o mesmo prazer em compor?
Sim, o que mais me diverte na vida é o trabalho. A maior alegria que eu sinto na vida é quando eu faço uma música nova. Por isso, quase desisti desse disco. Fiquei muito desesperado. E o lado bom desse desespero é que ouvi tudo de novo, de Villa-Lobos aos compositores de hoje.

Mas o repertório está focado na música brasileira mais tradicional, não aparecem compositores contemporâneos.
Ao escolher o repertório de Ária, me desvencilhei do compromisso de fazer uma amostragem da música popular do Brasil. Não são as melhores nem as maiores músicas. São as músicas que eu quis cantar.

Como avalia a relação entre música e internet?
Acho a internet um canal democrático e espetacular. A partir dela, passei a ter um contato maior com meus fãs. Mas, com ela, a composição perdeu seu valor mercadológico. Você baixa qualquer disco sem pagar direito autoral. Sei que não vai ser mais como era antes, porque não há legislação para controlar isso e nem acho que seja possível haver uma. Há muito tempo cedi a essa realidade. Mas o direito autoral tem de ser preservado de alguma forma. Vivo de shows, mas tem gente que vive de direito autoral e não tem outra fonte de renda.

Por falar em shows, o de Ária vai ter apenas músicas dos outros?
Não dá para não ter meus sucessos. Vou botar alguns lados B da minha obra. Vai ter músicas que sempre tentei cantar, mas nunca fiz em shows, como “Cordilheira”, do disco Malásia, e “Transe”, do Lilás.

Continua compondo?
Não muito, pois precisava me prender um pouco a esse ofício de intérprete. Compus duas ou três músicas, não mais do que isso. Mas estou ávido para voltar a compor. E agora vou fazer músicas com uma gana, com um frescor novo. Ária vai dar uma mexida na minha música.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2
   


Copyright © 2009 - Editora Três Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
ContentStuff Media Solutions | Gestão de Conteúdo | CMS