- Anuncie
- Assine

   
 
Teatro // Home
 
- Edição Atual
- Anteriores
 
- Imagens
- Frases
- Urgente
- Moda
- Estilo
- Fernanda Barbosa
- Paulo Borges
- Agito
- Aconteceu
- Celebridade
- Reportagens
 
- Cinema
- Música
- Livros
- Teatro
- Gastronomia
- Televisão
 

Atualize-se com a
IstoÉ Gente!




- Fale Conosco
- Expediente
- Anuncie
- Assine
- Loja 3
 

 


Marco Nanini
As entranhas de uma família desestruturada

Daniel Schenker Wajnberg

 

O ator investe em nova montagem de Pterodátilos, texto que encenou, sob a direção do mesmo Felipe Hirsch, em 2002

CAROL SACHS
"Na primeira montagem de Pterodátilos, ao interpretar Ema, tinha a sensação de que fazia uma menina. Quando assisti ao vídeo do espetáculo, levei um choque: vi um senhor fazendo uma menina"

PTERODÁTILOS NÃO É SIMPLESMENTE uma remontagem do texto de Nicky Silver, encenado por Felipe Hirsch em espetáculo protagonizado por Marco Nanini, em 2002, que também trazia outra peça do mesmo autor, Homens Gordos de Saia - ambos reunidos sob o título de Os Solitários. Diretor e ator decidiram revisitar a peça, estimulados por questões contemporâneas, como o consumo desenfreado no Brasil. Nanini, que comemora 45 anos de palco, buscou novas abordagens para os dois personagens que interpreta, o presidente de banco Artur e sua filha, Ema. O núcleo familiar desestruturado está na mira de Silver, que coloca o público diante do casamento de Artur e Grace (Mariana Lima). A relação com os filhos Todd (Álamo Facó), que volta para casa, e Ema, prestes a se casar com Tom (Felipe Abib), que acaba se tornando empregada(!) da família, é destacada numa montagem que conta com cenografia de Daniela Thomas.

Por que decidiu partir para uma nova montagem de Pterodátilos?
Meu contato com a dramaturgia de Nicky Silver se deu através de Felipe Hirsch. Pterodátilos foi o primeiro texto que li dele. Achei abusado, sem muitos subterfúgios no diálogo. Gostei da mistura de tragédia e comédia. Lemos outras peças de Silver. Chegamos a pensar em montar quatro. Acabamos escolhendo duas - Pterodátilos e Homens Gordos de Saia. O tempo passou e começamos a conversar sobre a possibilidade de retomar Pterodátilos. Hirsch chamou a atenção para a força do consumo no Brasil. E o texto aborda justamente a desconstrução de uma família por causa do consumo.

Em que medida sua percepção dos personagens mudou?
O âmago dos personagens é o mesmo. Mas agora estou prestando mais atenção em Artur. E suavizei Ema. Procurei perceber como os comportamentos dos personagens poderiam variar. Na primeira montagem de Pterodátilos, ao interpretar Ema, tinha a sensação de que fazia uma menina. Quando assisti ao vídeo do espetáculo, levei um choque: vi um senhor fazendo uma menina.

O novo Pterodátilos é um espetáculo muito diferente do primeiro?
A primeira montagem foi mais épica, apresentada em teatros grandiosos. Agora, Felipe Hirsch propôs ousadias. O palco fica todo esburacado. É difícil pisar. Há um risco físico para nós, atores. As entranhas da casa vão aparecendo. A derrocada dos personagens está evidente na encenação.

Ao longo dos anos, você vem desenvolvendo uma parceria duradoura com Marieta Severo, com quem contracenou na primeira montagem de Pterodátilos. Pensou em convidá-la para essa revisita ao texto?
Propus à Marieta fazer Pterodátilos, mas ela não pôde. Só a partir daí partimos para uma nova escalação. Eu e Marieta nos encontramos, na década de 70, em As Desgraças de Uma Criança, de Martins Pena, e cerca de 15 anos depois voltamos a trabalhar juntos em Carlota Joaquina, filme de Carla Camurati, e em programas especiais da Globo. A partir daí, não paramos mais de trabalhar juntos.

Você também foi dirigido por Felipe Hirsch na encenação de A Morte do Caixeiro Viajante, quando voltou a contracenar com a atriz Juliana Carneiro da Cunha. Como foi reencontrá-la em cena?
Nós atuamos juntos, nos anos 80, na montagem de Mão na Luva. Depois ela ingressou no Theatre du Soleil e foi morar em Paris. Tinha muita vontade de voltar a trabalhar com ela no Brasil. Passei quase dois anos insistindo até que ela aceitou.

Você mantém contato com Gerald Thomas depois de Um Circo de Rins e Fígados? Tem planos de voltar a trabalhar com ele?
Sim. Gostei muito de trabalhar com Gerald. Ele deverá me dirigir num filme. Talvez tenha alguma relação com o personagem de Um Circo de Rins e Fígados.

Como foi participar de A Suprema Felicidade, filme que marca a volta de Arnaldo Jabor ao cinema?
Jabor é brilhante. Interpretei o personagem inspirado no avô dele. Foi estimulante, mesmo sabendo que não teria como suprir a figura desse avô emblemático. Mas passei no teste: para Jabor, pelo menos. É um filme romântico, nostálgico. Mostra o Rio de Janeiro no auge.

Fale sobre o projeto do Instituto Galpão Gamboa:
Houve uma época em que o Rio de Janeiro estava muito violento. Tive que subir o muro da minha casa. Mas disse para o Fernando (Libonati, produtor) que queria ter, pelo menos, uma sala de ensaio, sem muro para subir. Procurei na Rocinha, no Vidigal, na Ladeira dos Tabajaras. Precisava entender o apartheid da cidade. A melhor maneira seria me expondo. Encontrei há quatro anos um galpão na Gamboa, antes da valorização do centro da cidade, que foi uma antiga fábrica. Teremos uma programação na sala de espetáculos, ainda que fora do circuito comercial. Queremos desenvolver projetos sociais. De qualquer modo, sem Fernando não teria conseguido nada.

 

 

   


Copyright © 2009 - Editora Três Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
ContentStuff Media Solutions | Gestão de Conteúdo | CMS