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Hyldon
O músico comemora 35 anos de carreira com DVD e fala da amizade com Tim Maia, dos erros na carreira e do fato de ter ficado de fora do culto à soul music

Mauro Ferreira

 

AOS 59 ANOS, o baiano Hyldon é nome nem sempre lembrado pelos que cultuam a soul music nacional. Mas quase todo mundo sabe cantarolar versos de músicas como “Casinha de Sapê” e “As Dores do Mundo”, sucessos que atravessaram gerações desde que foram lançados pelo cantor no seu primeiro álbum, Na Rua, na Chuva, na Fazenda..., de 1975. Trinta e cinco anos após seu estouro nacional, Hyldon ainda é associado a esse estupendo disco. Parceiro e amigo de Tim Maia (1942 – 1998) nos anos 70, o artista tem consciência dessa eterna associação e conta que, após relutar, cedeu à tentação de reproduzir na capa de seu primeiro DVD, Hyldon ao Vivo, o título de seu disco de estreia. Nesta entrevista à Gente, Hyldon reconhece os erros ao fazer um balanço da carreira, revela que sua mulher o intimou a se afastar de Tim Maia e garante que nunca perseguiu a fama.

“ Eu era muito invocado”

“Me preparei para fazer música, não para lidar com as gravadoras”, conta Hyldon

Seu primeiro DVD reproduz na capa o título de seu primeiro álbum. É difícil se dissociar desse disco?
Teve um cara que falou comigo brincando: “Você gastou logo todas as músicas no primeiro disco”. É que, no primeiro, a gente está livre de pressões externas, de comparações. Levei cinco anos me preparando para ele. Quis regravar no DVD músicas que todo mundo cantasse junto e, quando vi, tinha várias desse meu primeiro disco. Até relutei em reproduzir na capa do DVD o nome do disco. Mas a gravadora (RWR, do diretor Roberto Oliveira) me convenceu.

Você se acha injustiçado dentro da soul music nacional?
Não. Sou um privilegiado de ter músicas que atravessaram gerações. Só que tem gente que trabalha muito o marketing pessoal e não sou uma delas. Sou simples, gosto de ficar na minha. Deixei de fazer muita coisa porque não me submeti às imposições. No fundo, o meu sonho sempre foi que as pessoas conhecessem minhas músicas e eu pudesse andar tranquilamente na rua.

Houve um revival do Tim Maia no início dos anos 90, outro do Jorge Ben Jor. Por que não houve o seu?
Isso (o esquecimento) não aconteceu somente comigo. Foi com todo mundo depois que o marketing tomou conta do negócio. Temos um público, mas não conseguimos chegar até esse público. Minhas músicas antigas não param de tocar até hoje.

Mas parece que você ficou de fora desse revival soul, mesmo com suas músicas na trilha do filme Cidade de Deus e nos discos dos grupos Kid Abelha e Jota Quest.
A sensação que tenho é de estar sempre começando. Não é que eu não tenha sabido administrar minha carreira... Posso ter errado a mão em um ou outro disco, mas nunca perdi o fio da meada. Só que me preparei para fazer música, não para lidar com as gravadoras. Eu era muito invocado. Fiquei revoltado com a gravadora (Philips) do meu primeiro disco e fiz um segundo disco para não tocar, bem experimental. Nem meu retrato eu quis pôr na capa. Foi um erro estratégico. Minha cabeça estava virada. Ali começou meu inferno astral de anos. Mas não culpo ninguém. E dei sorte porque tive uma sobrevida nos anos 90 com as regravações do Jota Quest (“As Dores do Mundo”) e do Kid Abelha (“Casinha de Sapê”). Mas nesses anos 90 perdi um pouco a fé religiosa, a crença nas coisas. Só quando me isolei em Teresópolis, de 1996 a 2003, é que me reencontrei com Deus.

Neste DVD, você grava “Primavera” e canta as parcerias com Tim Maia. Como era sua relação com ele?
A gente tinha uma relação de amizade, de carinho, de afeto. Tim era um companheiro de farra. Mas aí eu me casei em 1983. Continuei a me encontrar com Tim, só que ele tinha aquelas crises de solidão e trancava a porta da casa dele para não me deixar sair, dizia que ia chamar umas putas para a gente se divertir. E a Zoé, minha mulher, se aborreceu. Ela me deu uma decisão: ou ela ou Tim. Aí eu me afastei dele.

Como foi gravar com Chico Buarque no seu último disco de estúdio?
Foi natural porque a gente é parceiro de “pelada” desde sempre. Eu marco ele nos nossos jogos porque Chico é do time adversário. Me lembrei dele para tocar kalimba em “Medo da Solidão”. Convidei e ele aceitou, dando uma demonstração de amizade e desprendimento.

 

 

 



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