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Dona Ivone Lara - A grande dama do samba
Homenageada no Prêmio da Música Brasileira, a compositora fala da realização de ver o trabalho reconhecido e dos dois únicos desejos: continuar fazendo show e ser gravada por Roberto Carlos

Por Camilla Gabriella

 

 

Fotos DIVULGAÇÃO
Dona Ivone diz que, atualmente, gosta de ouvir "a moçada nova" do samba

A MANEIRA COMO DONA IVONE LARA fala da vida, do reconhecimento do trabalho, é de uma simplicidade desconcertante. Grande dama do samba, mulher que ignorou barreiras para poder viver de música, ela é a homenageada deste ano do Prêmio da Música Brasileira, realizado na quarta-feira 11, no Teatro Municipal do Rio. Gravada pelos grandes nomes da música - Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso entre eles - Dona Ivone parece ignorar a importância de suas canções, mas dá a exata dimensão da frase de que "o melhor está nas coisas simples". Como os seus sambas, ela é delicada e cheia de sabedoria com poucas palavras. Aos 89 anos, deseja apenas ter saúde para continuar a cantar, como vem fazendo desde os 12 anos, quando começou também a compor. Menina de família humilde, enfermeira e assistente social por 38 anos, ela sequer podia assinar suas músicas, mas dava um jeito de burlar a proibição da família para continuar a carreira. Depois de conseguir ser respeitada no universo essencialmente masculino do samba, tornou-se a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de uma escola, a Império Serrano, compondo o enredo de 1965. O primeiro disco solo, no entanto, só seria lançado em 1978. "Sinto-me muito feliz. É muito bom saber que se lembraram de mim e reconheceram meu trabalho. É um sinal de que ainda estou viva", diz ela, que mora com o filho, Alfredo, em Oswaldo Cruz, subúrbio carioca. Com dois netos e um bisneto, ela é só agradecimento: "Sou feliz porque ainda estou viva, tenho minha família, meus netos, um bisneto, me divirto com ele."

Como é ser homenageada do Prêmio da Música Brasileira?
Me sinto muito feliz. É muito bom saber que se lembraram de mim e reconheceram meu trabalho. É um sinal de que ainda estou viva, uma prova de que ainda estou atuante e, mais ainda, do valor que dão ao meu trabalho.

A sra. é um dos nomes mais importantes do mundo do samba. Acredita que tem um reconhecimento à altura?
Não. Seria muita vaidade achar que sou reconhecida à altura.

Foi com "Sonho Meu", gravado por Maria Bethânia e Gal Costa, que a sra. conseguiu reconhecimento nacional. Quem ainda gostaria de ver interpretando uma composição sua?
Roberto Carlos. Gosto muito dos shows e do modo dele cantar.

Ainda tem muitas composições que não foram gravadas?
São inúmeras. Não sei quantas tenho e pretendo gravá-las.

Que cantores costuma ouvir?
Atualmente, estou ouvindo a moçada nova. Estão fazendo ótimas composições, tocando muito bem, estudando e levantando sempre a bandeira do samba.

A sra. faz parte de uma dinastia de mulheres do samba, ao lado de nomes como Clementina de Jesus, Clara Nunes, Beth Carvalho e Jovelina Pérola Negra. Quem considera a herdeira do legado dessas grandes damas?
Todas que levantam a bandeira do samba são herdeiras.

Ainda sente prazer em assistir aos desfiles das escolas de samba? Já pensou em ser tema de enredo?
Não! Pra mim já terminou. Eu não sonho porque já houve escolas de samba de médio e pequeno porte que fizeram homenagem a minha pessoa.

O que gosta de fazer quando não está trabalhando?
Descansar, ficar com minha família e fazer umas melodias.

Muitos compositores ligados ao samba enfrentam problemas financeiros. A sra. se considera bem recompensada financeiramente?
Nunca. É muito difícil um artista do gênero samba ter um bom reconhecimento financeiro, principalmente os compositores, que dependem das gravadoras e instituições de arrecadamento da música para sobreviver. Mas dá pra ter um conforto bom.

Que sonho ainda gostaria de realizar?
Nos meu 89 anos de vida, já realizei todos. Mas é um sonho ter sempre mais saúde para poder fazer muitos shows.

Tem alguma mágoa guardada nesses anos todos de carreira?
Não tenho mágoa do samba. O samba só me trouxe felicidade e através dele pude realizar todos os meus sonhos.

Por que muitos de seus sambas foram assinados por primos seus, como Mestre Fuleiro?
Antigamente, a mulher sofria mesmo muito preconceito. Quem assinava os sambas eram meus primos Fuleiro e Hélio. Minha família me proibia.

A sra. já cantou "O samba me fez bastante feliz / Até bodas de ouro com o samba eu já fiz". O sentimento de felicidade ainda é o mesmo?
Sempre! Sou feliz porque ainda estou viva, tenho minha família, meus netos e um bisneto, me divirto com ele. Agradeço muito a Deus.

 

 



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