Morena Leite folheia o livro que escreveu: Brasil Ritmos e Receitas. Mesa do designer Hugo França. A mesa posta para o café. No fundo da sala a poltrona Swan, presente da amiga Adriana Barra. No detalhe, os copos coloridos expostos na prateleira da cozinha e a imagem de Iemanjá e bonecas, trazidas de suas viagens pelo mundo.
As memórias de infância de Morena Leite remetem às cores de Trancoso com suas ruelas e casarios em tons primários e a luz dourada de muitos verões. Foi naquele pedaço de terra no sul da Bahia que ela cresceu de pés descalços e aprendeu a fazer o que mais gosta: cozinhar.
A menina amadureceu, mudou-se para São Paulo, abriu o próprio restaurante e na hora de arrumar seu canto, Trancoso estava ali, novamente, nas cores, nos objetos, nas lembranças, no cheirinho que vem da cozinha. O espaço, área nobre da casa, foi pintado de verde. Louças e utensílios estão dispostos em prateleiras. Tudo à mostra. “Eu acho que as cores dos objetos, dos copos e tudo mais expostos compõem a decoração”, explica. “Eu não queria nada fechado, gosto assim.” Em uma das paredes, uma pequena escultura em bronze, reproduzindo um pincel, e uma colher simbolizam a arte da gastronomia. “Eu estudei na Lê Cordon Bleu (renomada escola de cozinha na França) e vi essa peça na casa do diretor da escola. Mandei fazer uma igual e tatuei o mesmo símbolo no pulso”, conta.
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