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Guel Arraes
Diretor adapta O Bem Amado para o cinema, fala sobre a atualização dos personagens como crítica à atual elite brasileira e a dificuldade de satirizar a esquerda política

Suzana Uchôa Itiberê

 

Fotos DIVULGAÇÃO

Imagino que não tenha sido fácil adaptar O Bem Amado, uma obra tão popular e já transformada em novela e minissérie. Como lidar com a pressão das inevitáveis comparações?
Eu me concentrei na obra original, a peça de Dias Gomes de 1962, e me comportei como quem monta um clássico, tentando achar a atualidade do texto. A adaptação para a tevê corresponde a um contexto político, a ditadura militar e cultural, resistência da esquerda, bem diferente do de agora. Das versões para a tevê, eu e Claudio Paiva, meu parceiro roteirista, nos preocupamos em retomar a prosódia arrevesada de Odorico, mais elaborada, e levar em conta o crescimento de alguns personagens, como as Cajazeiras.

Hoje, a realidade política é bem diversa da retratada no filme. Em algum momento pensou em transportar a trama para o presente?
Qualquer história, mesmo as que se passam no passado (de época) ou no futuro (ficção científica), fala do presente. Esta adaptação de O Bem Amado se passa entre 1962 e 1964, mas isto só serve para tentar falar melhor da realidade de hoje. Como se trata de uma sátira à elite política e social do País, havia o perigo de se querer identificar na história figuras reais. Isso diminuiria o valor dos personagens de Dias Gomes, que não são paródias de modelos vivos e têm lógica e vida própria.

 

Mas é curioso o filme sair bem em ano de eleição. Acha que os personagens são um espelho da situação atual?
É um espelho natural, sim. A situação política naquele período da década de 60 era de polarização entre a esquerda e a direita, ou entre "progressistas" e "conservadores", que reconhecemos como a origem de muitos debates atuais. Os personagens foram "atualizados" no sentido de que ressaltamos mais suas características originais que ainda continuam presentes na elite de hoje em dia.

Quando escalou Marco Nanini como Odorico, quais foram as principais características do original que pediu para que ele ressaltasse?
Nossa preocupação era com o texto da peça, que foi adaptado para um roteiro, e não com a interpretação feita para a tevê. Odorico é um personagem interessantíssimo, um vilão simpático, que, no entanto, temos de fazer com que o público abandone no final.

As irmãs Cajazeiras são bem caricaturais e nada beatas. Investir nesse humor mais debochado foi uma forma de deixar a sua marca?
Foi uma forma de trazê-las mais para o presente, tornando-as mais perto das peruas de hoje em dia do que das beatas de antigamente.

Como filho do político Miguel Arraes, imagino que, ao iluminar os métodos escusos do esquerdista Vladimir, tenha sentido como se estivesse pisando em ovos. Certo?
Certo. Por isso, por minha simpatia pela esquerda e pelo fato de que ela é muito pouco satirizada nas comédias - talvez, por essa mesma simpatia "à esquerda" da maioria dos intelectuais e artistas - o personagem de Vladimir foi o mais difícil de encontrar. Como satirizar a esquerda, encontrar seus defeitos próprios, para que não ficasse apenas uma repetição dos vícios de Odorico, o político conservador?

Como você se descreve como diretor? Por comandar tantas comédias, mantém a postura bem-humorada nas filmagens?
Não me acho um cara naturalmente engraçado. A comédia é como uma técnica de precisão que tento aprender a duras penas.

Depois de tanto tempo de carreira, ainda sente frio na barriga diante da estreia de um novo trabalho?

Faço como antes das longas viagens. Faço minha mala na última hora pra não pensar com muita antecedência no assunto.

''Por minha simpatia pela esquerda e pelo fato de que ela é muito pouco satirizada nas comédias, o personagem (esquerdista) Vladimir foi o mais difícil de encontrar"

 

 

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