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| Guel diz que personagens são espelho da situação atual; na página ao lado, Zezé Polessa, Andréa Beltrão e Drica Moraes como as Cajazeiras; e Marco Nanini como Odorico |
O DIRETOR GUEL ARRAES não se acha uma pessoa engraçada, mas tem o dom de provocar o riso. Basta lembrar alguns dos programas que ele desenvolveu na Globo: o humorístico TV Pirata, os seriados A Grande Família e Os Normais, e os especiais O Coronel e o Lobisomem e O Auto da Compadecida. Grande parte deles foi tão bem-sucedida que ganhou versão cinematográfica. Pois Arraes retoma a batuta e traz para a tela grande a sua visão de O Bem Amado, a peça escrita por Dias Gomes em 1962 eternizada no imaginário popular pelas duas adaptações para a televisão - a novela de 1973 e o seriado exibido entre 1980 e 1984. Em ambas, Paulo Gracindo brilhava como Odorico Paraguaçu, o político corrupto e demagogo que se torna prefeito de Sucupira com a promessa de construir um cemitério para a cidade, mas ninguém se encarrega de morrer para ele poder inaugurar a obra.
Agora na pele de Marco Nanini, Odorico volta a divertir com seu palavreado único e expressões como "deverasmente" e "imprensa escrita, falada e televisada". Já as irmãs Cajazeiras, interpretadas por Andréa Beltrão, Drica Moraes e Zezé Polessa, nada têm das beatas do original. Estão mais para as peruas de hoje. Matheus Nachtergaele dá vida ao assessor-capacho Dirceu Borboleta, Tonico Pereira faz o opositor e político de esquerda Vladimir, e José Wilker participa como o matador Zeca Diabo. É um elenco de primeira, que entra no clima de escárnio do diretor. Se a peça já fazia um retrato nada lisonjeiro da classe política dominante à época, a novela e o seriado se arriscaram na sátira em plena ditadura militar. Agora os tempos são outros e nesta entrevista à Gente, Arraes fala sobre os desafios de apresentar O Bem Amado à nova geração.
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