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Música
Leila Pinheiro

Aina Pinto

 

A cantora conta ter conhecido o cantor no dia em que bateu à porta da casa dele pedindo para gravar uma música

Queria muito que Renato Russo ouvisse esse disco”

Leila Pinheiro lança Meu Segredo Mais Sincero, dedicado às músicas da Legião Urbana, fala sobre a amizade com o compositor e da dificuldade de entender o universo rock

MEU SEGREDO MAIS SINCERO
, disco de Leila Pinheiro com músicas da Legião Urbana, primeiro, provoca espanto. O que faz uma cantora de MPB gravando rock? Como reinterpretar as músicas de maneira que não sejam apenas para “fã de MPB” ouvir, mas que se lancem novas luzes sobre elas? O que canções que marcaram uma geração nos anos 80 podem dizer hoje? O próprio disco traz as melhores respostas. Leila conta ter sentido dificuldade para entender algumas coisas – mas não as letras de Renato Russo (1960 – 1996), que a levaram, no início da carreira, à casa do compositor para se apresentar e dizer que gostaria de gravar “Tempo Perdido”. A cantora lembra o encontro com o líder da banda, fala da escolha das canções, da parceria em “Hoje” e se emociona ao lembrar o amigo.

Depois de um disco com músicas de um só compositor, o Pra Iluminar, com músicas de Eduardo Gudin, agora um só de Legião Urbana. Por quê?
Eleger um compositor me traduz de forma mais coerente. Houve a oportunidade de homenagear Renato nos 50 anos dele e também comemorar os meus 50. O fato de ser de um único compositor me permite mostrar o que penso e sinto com mais propriedade. É um caminho claro para seguir, embora, no caso de Legião, tenha sido um dos mais difíceis.

Por que foi um dos mais difíceis?
Porque não é meu universo, não é a música que mais ouvi. Fui atrás da poesia do Renato, que me arrebata. É assim desde o início, quando gravei “Tempo Perdido”, em 1988. Foi quando o conheci. Fui à Ilha do Governador (no Rio), bati à porta dele, me apresentei, disse que queria gravar. Com “Hoje”, ele me telefonou, disse que eu ia adorar a letra que ele tinha feito. Ele foi para minha casa e vibrava quando encontrávamos um acorde bonito. Mas estou há 30 anos na MPB, que é muito rica musicalmente, o que não é o caso da Legião. Não conseguia, em determinadas canções, entender o que ele queria dizer musicalmente. As minhas escolhas foram pelas que pude entender. Nos arranjos, posso ter enriquecido com instrumentos, mas não mexi em nada porque é uma obra fechada. É a coisa do punk rock, três acordes e aquela melodia que está ali, sabe Deus dentro de que lógica. Para mim foi ótimo porque foi um desafio entrar nesse universo.

E nessa escolha, pesou o fato de as canções terem algo a dizer à sensibilidade das pessoas hoje, mesmo que seja a mesma geração que ouvia Legião, mas que agora está mais velha e vive uma outra história?
Acho que as músicas se dirigem até mais para esse público, que era muito jovem. Fui a um show no Maracanãzinho, nos anos 80, foi o único que vi da Legião e jurei que nunca mais veria show de rock. Fiquei prensada nas grades, mas foi importante para mim ter visto. Não sei se o público estava ali ligado naquelas palavras ou se era nele, com aquela força no palco. Naquele tempo, eu não tinha maturidade para entender essas letras. Ele era muito mais maduro, um cara estudioso, com uma cultura profunda e uma grande experiência de vida. Comparo Renato com Billie Holiday. É como se a Ella Fitzgerald cantasse as coisas e a Billie as vivesse. Renato vivia, tanto que foi embora cedo.

Você já gravou “Tempo Perdido” três vezes. Por que o encanto por essa canção?

Não ia regravar, mas fui surpreendida com o arranjo do Claudio Faria. Quando ele me mandou, coloquei para ouvir e cantei para entender o que era. O que você tem no disco é essa primeira vez que cantei. Fiquei tão emocionada, tão arrebatada com o arranjo... E essa é uma das poucas canções otimistas do Renato. A música é sobre a ditadura e ele consegue ver o sol da manhã tão cinza. Eu me lembro... Fiquei emocionada agora... Lembro ele me dizendo: “Leila, fiz uma musiquinha e você a tornou uma musicona.” Ele já achava uma “musicona” quando gravei em 88, com piano e voz. Queria muito que ele ouvisse esse disco. De alguma forma, ele ouvirá.

 



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