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Atriz brasileira de maior projeção no cinema internacional na atualidade, Alice Braga desembarca em São Paulo direto de Budapeste - onde filma com Anthony Hopkins - para estrelar campanha de moda e falar de sua carreira cada vez mais em ascensão Luciane Angelo fotos Rodrigo Paiva / Ag.IstoÉ Como é a necessidade de estar sempre em forma? Uma atriz é referência para mim: Kate Winslet. Ela é sempre criticada por seu peso e dá respostas incríveis. "É meu jeito, tenho essa estrutura corporal e não vou mudar." Você tem que estar feliz com seu corpo. Quando aceitei a campanha da Cori, coloquei uma roupa de ginástica e fui para a academia. Não é porque eles me ligaram. Não me pediram. Amo correr. Isso falo como Alice, como mulher. Não vou querer ficar seis meses numa campanha, olhar e falar: devia ter perdido três quilos. Foi uma decisão minha. Lógico que há preparações específicas. Fiz um filme em que eu era uma militar. Tive que malhar para aguentar correr com uma arma de seis quilos. Agora estou fazendo uma jornalista no filme O Rito e procuro aulas mais leves como ioga. Não posso ser uma jornalista com corpo de militar. A minha silhueta depende do papel que estou fazendo. É mais difícil para uma latina participar de produções internacionais? Não. Só sinto que tenho sotaque e me limita de certa forma. Isso não acontece só com a gente, outras nacionalidades têm o mesmo obstáculo. Mas já fiz trabalhos em que, no roteiro original, a personagem não era latina e se transformou porque eles gostaram do que apresentei no teste. O cinema brasileiro ganha com o fato de, este ano, a Argentina levar o Oscar de melhor filme estrangeiro? Não falta nada para o Brasil como qualidade de cinema. Logicamente um filme sul-americano ganhar dá força para nosso cinema. Estamos numa batida legal, com diferentes atores, contando novas histórias, abrindo leques. Acho importante todo tipo de filme, desde o mais culto até o popular. Acha que a produção brasileira conseguiu sair dos temas estereotipados? Existiu uma época que falávamos de favela, mas era uma necessidade. Cidade de Deus fez benfeito, outros filmes também realizaram bem essa tarefa, como o Tropa de Elite. O desejo de falar aquilo que é a nossa realidade era necessário naquele momento. Mas o Brasil tem temas a ser explorados. Dá para fazer parcerias com outros países como Argentina, Uruguai. Diversificar. Todo cinema no Brasil é válido e incentiva equipe, indústria, distribuição. Você é low profile. Como consegue preservar a sua vida sendo uma pessoa pública? Não me sinto uma celebridade. Admiro o Wagner Moura, que é um dos atores mais adorados do País, e leva sua vida com extrema discrição. É muito da sua postura e de como leva sua profissão. Sou discreta e também não sou reconhecida nas ruas. Saio com amigos, faço festas em casa. É meu jeito de viver. Você ainda é reconhecida como a sobrinha da Sônia Braga? Isso nunca me incomodou, ao contrário, é um orgulho. No princípio eu era muito relacionada a ela, sim. Mas como a Sônia morava fora e eu fiz uma carreira tão diferente, entrando nesta profissão pela minha mãe e não por ela, nunca me incomodei de as pessoas perguntarem. E ainda perguntam, justamente pelo peso que ela tem no cinema nacional. Sinto que já sou uma coisa separada dela, mas não quero me desconectar. Sente pressão para sempre estar com alguém ou aparecer com namorados galãs? Não. As coisas acontecem como devem acontecer. Sair com alguém porque é famoso? Tenho que gostar da pessoa. Tem um monte de atriz que acaba namorando ator. Eu, inclusive, já namorei ator e é engraçado porque você entende muito o dia a dia do outro. Acho que isso acontece em qualquer profissão. Você acaba se relacionando com pessoas do meio. Mas no momento estou solteira, só viajando de um lado para o outro. É difícil manter os pés no chão numa profissão tão exposta e, de certa forma, glamourosa? É uma profissão como qualquer outra. Óbvio que estou na tevê, as pessoas me veem, querem saber da minha vida. Mas exerço meu ofício como qualquer profissão. A partir do momento que você perde essa noção, acho que se perde o valor do que se está fazendo. É o que eu sinto. Os meus pais também nunca iriam me deixar tirar os pés do chão. PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 |
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