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Encontro com os presidenciáveis: Marina Silva, candidata do PV
O futuro da moda nacional foi o assunto central durante conversa com a candidata Marina Silva, em São Paulo


O meu primeiro encontro com os candidatos à Presidência da República foi com a senadora Marina Silva, em São Paulo, e discutimos abertamente em como a moda pode entrar no plano de metas do governo. Entre os temas levantados estão em nós, brasileiros, não perdermos nossas raízes e mostrarmos a nossa cultura nas passarelas mas "sem ter uma visão xenófaba em relação à possibilidade de troca.

A gente pode olhar para o mundo, pode se inspirar, mas vamos também trabalhar com a ideia de que podem se inspirar na gente", segundo Marina.

E o que a candidata do Partido Verde (PV) propõe é governar em parceria. "Ter essa visão de parceria, de trabalho em coautoria, é o que mais quero, como governo. Vamos ter de sair da velha visão da política do 'fazer para', para uma nova política do 'fazer com'", comenta. Nas semanas seguintes vou mostrar as entrevistas com o os outros candidatos: Dilma Rousseff e José Serra.

Paulo Borges: O Brasil tem sido a bola da vez no mundo, saído em várias revistas. Que estratégias estão sendo consideradas como plano de governo para que, de fato, possamos exportar e valorizar o nosso imaginário? Qual a marca que o Brasil deverá ter?

Marina Silva: O Brasil precisa ter a marca de seu próprio olhar, de sua própria escolha. Repito muito a frase do Caetano (Veloso), que diz: "É que narciso acha feio o que não é espelho." Geralmente, o mundo quer ver o que é seu espelho, sua imagem. Mas somos um mundo diverso, temos uma diversidade cultural fantástica e isso nos faz uma raça humana rica, potente. Se nos transformarmos em mesmice, com cada um olhando sua própria imagem, não temos a possibilidade da troca.

O Brasil é uma potência social, cultural, ambiental. É isso que a gente precisa mostrar. Quando eu estava no Ministério do Meio Ambiente, promovi uma discussão com a equipe, falando sobre a criação daquilo que costumo chamar de etnogrifes, buscando o que são nossas raízes mais profundas. O que a cultura indígena tem na sua simbologia, nos aspectos pictóricos, que pode emprestar à moda? O que a cultura negra tem? O que a diversidade que veio com os europeus, com brancos, amarelos, negros e índios tem para mostrar ao mundo? Essa imagem que a gente tem de firmar, mas sem ter uma visão xenófoba em relação à possibilidade de troca. A gente pode olhar para o mundo, pode se inspirar, mas vamos também trabalhar com a ideia de que podem se inspirar na gente.

Marina Silva e Paulo Borges no escritório da Luminosidade, em São Paulo

PB: A moda encontrou seu caminho graças à iniciativa de um grupo inovador de empresas, industriais e promotores de eventos. A estratégia de inovar e diferenciar esse produto tornou-se um padrão de mercado com o crescimento das marcas brasileiras projetadas por meio do São Paulo Fashion Week nesses 15 anos. Como o seu governo pensa em ajudar as marcas brasileiras a se consolidar além das fronteiras nacionais?

MS: Há dois movimentos que precisam ser feitos: a consolidação do setor e a promoção. Se a pessoa vê um produto que é bonito, que atrai, ela não vai deixar de querer porque é brasileiro. Ela vai se sentir inclinada a conseguir aquele produto. Mas, obviamente, a promoção é fundamental. Você falou há pouco sobre o fato disso tudo ser fruto não só de investimento material, mas, principalmente, de sonho. É muito bom saber que alguém sonhou promover um evento desses, que 15 anos depois é um sucesso e que continua apostando no mesmo caminho, na criação de uma nova maneira de caminhar, no rumo da moda brasileira. Tenho notado que uma das formas de desqualificar as pessoas que sonham é achar que a gente não é capaz de realizar. Mas nunca vi nada que seja grandioso, que se realiza, que não tenha na origem o sonho.

Quem criou estava sonhando com algo que, no começo, foi desacreditado, pode ter sido até ridicularizado dentro e fora do Brasil. Digo que essas pessoas têm visão antecipatória, são capazes de antecipar o futuro. Quando percebo essas pessoas e movimentos, chamo de núcleos vivos da sociedade. Senão, ficaríamos o tempo todo onde a bola está. Pode até fazer gol, mas não temos visão do movimento. Novas jogadas são necessárias. E apostar em algo que está se consolidando é algo muito parecido com o que faço a vida toda. Sempre digo que sou uma mulher movida a fé e determinação. A fé para remover as montanhas que não tenho como escalar, e a determinação para escalar aquelas que não tenho como transferir para a fé.

Há uma montanha que já foi removida, a de acreditar no Brasil, na moda brasileira. Isso é algo que não temos como medir. Só quem tem visão antecipatória é capaz de fazer isso. Mas existe uma montanha que precisa ser escalada. Temos de apostar no financiamento, na promoção, na consolidação, na valorização, na formação, na busca dos espaços corretos para que a moda brasileira, cada vez mais, constitua-se nesse lugar de criatividade e de exportação de sonhos, de beleza, de riqueza da diversidade brasileira.

PB: Como a sra. pensa no setor da moda, que pode ser um grande parceiro e de grande transformação? Como podemos trabalhar juntos para promover e acelerar os saltos qualitativos que todo mundo no Brasil precisa e espera?

MS: Eu gostei da palavra "parceiro". Falo que a gente tem de deixar de lado a visão de um Estado provedor. (Não vou dizer:) "Ah, vou conseguir fazer com que a moda brasileira seja isso, seja aquilo." Isso é a visão velha do Estado provedor, do político que faz as coisas para as pessoas. Quando você me pergunta como ser parceiro, como farei coisas com as pessoas do mundo da moda, (penso em) como fazer para mobilizar, em vez de prover para o setor. Mobilizar os melhores recursos, que vêm parte do próprio setor, parte do poder público, outra da iniciativa privada e da sociedade. Existe uma riqueza social e cultural que precisa ser mobilizada. Ter essa visão de parceria, de trabalho em coautoria, é o que mais quero, como governo.

Vamos ter de sair da velha visão da política do "fazer para" para uma nova política do "fazer com". Que cada um faça sua parte. É uma corrida de 4 x 4 e quem está com o bastão na mão tem de olhar para moda, agricultura, turismo, ciência, tecnologia, indústria, e cada um fazer a sua parte. Por isso, sou contra a reeleição, Paulo. Defendo o mandato de cinco anos para que cada um faça o que tem de fazer, sem ficar fazendo o que é preciso para se reeleger. Às vezes, existem coisas que não são tão populares que precisam ser feitas e ninguém faz porque só pensa na reeleição, em vez de pensar no Brasil.

 



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