Ainda somos os mesmos
As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, mostra que a juventude de hoje não é muito diferente da de outras gerações
Laís Bodanzky retratou a vida de um único jovem em sua estreia em O Bicho de Sete Cabeças (2001), depois apresentou um singelo olhar sobre uma geração na terceira idade em Chega de Saudade (2008). As Melhores Coisas do Mundo, seu novo filme, agrega a experiência dos dois primeiros para falar sobre a adolescência a partir de um ponto de vista antropológico.
O roteiro teve como base a série de livros Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto. Mas a diretora e o roteirista, Luiz Bolognesi, voaram mais longe: criaram a história depois de bate-papos com centenas de adolescentes de classe média alta em colégios de São Paulo. O resultado é um filme revelador. Sem estereótipos ou infantilizações dos personagens, o longa pode agradar aos teens, aos pais, e a todos aqueles que ainda recordam bem os tempos de escola.
Na tela, acompanhamos Mano (o carismático Francisco Miguez) em sua rotina e seus dramas de menino de 15 anos. Tudo que lembramos da nossa juventude está lá: a expressão por meio da música, a descoberta da bebida, do cigarro e do sexo, a importância dos amigos, o desespero na desilusão amorosa e a crueldade da fofoca e do preconceito no ambiente escolar. A diferença mais marcante, muito bem explorada, é a tecnologia - mensagens sms, blogs, vídeos e foto digitais - incorporada naturalmente ao dia a dia da garotada.
(Classificação Indicativa: a conferir) Marina Monzillo
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