 |
Fernanda, que posou para a revista Playboy, diz que a nudez foi um exercício de liberdade
|
O Pau parece ter sido escrito de um só fôlego.
E foi. Estava presa com um livro por dois anos. Era uma obra muito intensa. Então parei tudo e escrevi O Pau em dois meses. Aproveitei uma viagem do Alexandre (Machado, seu marido) com as crianças e mergulhei nas madrugadas.
Por que suas histórias são regidas pela violência?
Não consigo ser amena ou adorável na literatura. Reservo a doçura para minhas filhas, para quem costumo criar histórias em quadrinhos. Meus autores prediletos, como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, têm visões amargas da condição humana. Minha vida familiar é muito singela, então preciso da literatura para expressar conflitos que tenho dentro de mim.
Adriana é uma figura triste.
Ela tem um desconsolo enorme. A traição, para ela, não se resume ao fim do romance. É o fracasso, o sonho não realizado. Minha obra segue um padrão temático, uma tríade: rejeição, traição e vingança.
E arrependimento, existe no mundo da Fernanda?
Está falando da Playboy? A maioria entendeu que minha nudez foi um intenso exercício de liberdade. Me arrepender seria aceitar a caretice e ir contra as conquistas da mulher. Pena que outros ainda se contentem com mulheres melancias. Não foi uma atitude impensada e o arrependimento e a frustração foram fatores intrínsecos a essa decisão. Pior seria me lamentar por algo que não fiz.
Suzana Uchôa Itiberê