 |
No novo disco, Paulo Ricardo canta clássicos como "Garota de Ipanema"
|
De onde surgiu a ideia de cantar Vinicius?
Em 1997, eu fiz um disco chamado O Amor me Escolheu. Na pesquisa do repertório, encontrei uma canção maravilhosa, "Só me Fez Bem", do Edu Lobo com o Vinicius. Fiquei impressionado com a letra, de uma simplicidade, mas, ao mesmo tempo, de uma profundidade e de uma atemporalidade. No ano passado, com o cinquentenário da Bossa Nova, o nome do Vinicius me veio novamente à mente.
Como o Toquinho entrou na história?
Expliquei a ideia do projeto para ele, que ficou empolgado e disse que queria fazer o disco comigo. O violão do Toquinho é a espinha dorsal do trabalho, mas, em torno dele, acontece tudo: samplers, teclados...
Fale sobre "Romeu e Julieta", canção inédita de Vinicius e Toquinho, que está no disco.
É o nosso grande trunfo. O Toquinho se lembrava da melodia, mas a letra havia se perdido. Num campeonato de sinuca, ele foi abordado por uma mulher que dizia ter essa letra. Toquinho reconheceu alguns versos e percebeu que a máquina de escrever e o jeito eram mesmo do Vinicius. É uma canção triste, de tom medieval.
Você já gravou Roberto Carlos, fez covers de sucessos estrangeiros, agora o Vinicius... Não teme ficar descaracterizado no mercado?
Não posso pautar meu trabalho pela expectativa do mercado ou das pessoas. Não tenho esse ecletismo como um objetivo pré-determinado. Cresci na era do rock'n'roll, mas ouvi música brasileira desde sempre. No segundo disco do RPM, já tinha Caetano Veloso e Secos & Molhados. Viva Vinicius é uma síntese de tudo que venho experimentando.
Mauro Ferreira