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No novo livro, José Saramago desperta diversos sentimentos com sua narrativa envolvente
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PILAR DEL RIO, MULHER DE JOSÉ SARAMAGO, escreveu no site do autor sobre o lançamento de Caim (Companhia das Letras, 176 págs., R$ 36) e lançou um desafio: "Aposto que quando o terminardes, quando fizerdes o gesto de o fechar sobre os joelhos, olhareis o infinito, ou cada qual o seu próprio interior, soltareis um uff que vos sairá da alma, e então uma boa reflexão pessoal começará."
Pilar não colocou valor na aposta mas, se o tivesse feito, levaria uma bolada dos leitores. Porque Caim mostra o autor em grande forma, seus diálogos intrincados e intrigantes, seu humor, sua ironia, sua tristeza. Saramago volta a um tema bíblico, como em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, mas agora se dedica ao Antigo Testamento e faz de Caim o homem que experimenta os caprichos do Senhor.
Depois de matar o irmão, Caim tem um embate com Deus. "(...) matei abel porque não podia matar-te a ti, pela intenção estás morto", diz o homem, exigindo que Deus divida com ele a culpa por não ter impedido tal brutalidade. Marcado na testa e com a promessa de que não terá uma morte violenta, Caim passa a viajar no tempo, testemunhando a construção e a destruição de Babel, impedindo que Abraão mate Isaac, tornando-se amante de Lilith.
O contador de histórias Saramago faz uma narrativa envolvente, fluente, capaz de despertar os mais diversos sentimentos, e a permeia com considerações provocadoras, não apenas sobre Deus e o homem, mas sobre as crueldades e frivolidades humanas. É uma história em que se anseia por conhecer o final. E quando ele chega, é preciso dizer a Pilar que ela ganhou fácil a aposta.
Aina Pinto
Li e Gostei Danielle Winits
"A Linguagem Secreta do Cinema, de Jean-Claude Carrière, usa da poesia para falar de coisas técnicas do cinema, como o filme é feito, como é montado. É bárbaro." (Nova Fronteira, 224 págs., R$ 32)
Daniele Winits é atriz e está na peça Hairspray