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Michel Bercovitch brilha e Fabiana Karla se distancia de seu registro de comediante em Gorda
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NEIL LABUTE VOLTA a destacar a perversão contida no asséptico universo yuppie (também retratado em outro trabalho do dramaturgo, Na Companhia de Homens) em Gorda, texto um pouco mais despretensioso centrado na dificuldade de um executivo em assumir para os amigos que namora uma mulher distante dos padrões estéticos previamente definidos como aceitáveis.
Daniel Veronese, responsável pela direção original do espetáculo, procura fazer com que o eventual potencial de incômodo lançado pela peça de Labute não ameace a fruição do grande público. É, sem dúvida, uma limitação. De qualquer modo, não faltam atrativos para o espectador, em especial no que se refere às ótimas soluções da cenografia giratória de Alberto Negrin e aos desempenhos fluentes de boa parte do elenco.
Fabiana Karla, apesar de ainda não ter alcançado a dimensão mais dramática da personagem, evita se escorar em seus conhecidos recursos de comediante. Com ótima presença, Michel Bercovitch expõe com precisão todas as hesitações do tímido e inseguro executivo.
(14 anos) Daniel Schenker Wajnberg
Teatro das Artes - r. Marquês de São Vicente, 52/2º andar (Shopping da Gávea), Rio, tel. (21) 2540-6004.