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Tua e Encanteria figuram entre os melhores da discografia da baiana
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MARIA BETHÂNIA DECIDIU lançar dois álbuns de repertórios inéditos, tal como em 2006, quando revirou suas memórias das águas ao gravar os CDs Mar de Sophia e Pirata. Encanteria e Tua têm conceitos distintos, mas complementares.
O primeiro aborda a festa da fé - inclusive a religiosa - no ritmo dos sambas que reproduzem a cadência do Recôncavo Baiano. Com direito a louvações aos santos católicos e aos orixás do candomblé. Voltado para as canções românticas, o segundo tem tom mais suave. Ambos reafirmam a devoção da cantora às canções caipiras. A viola é instrumento recorrente nos dois discos.
Tanto Tua quanto Encanteria confirmam o grande momento da intérprete, cujo canto parece envelhecer como um vinho. Essa excelência forma vocal é posta a serviço de um repertório que reitera o estilo de Bethânia com sutis inovações como a convocação da carioca Orquestra Portátil de Música para gravar "Encanteria" e o samba "Feita na Bahia".
O dueto com Lenine em "Saudade", interiorana faixa de Tua, se destaca entre canções expressivas de Adriana Calcanhoto e Roque Ferreira, o compositor mais presente e inspirado dos dois discos. A presença de virtuoses como Hamilton de Holanda - cujo bandolim acentua a beleza de "Remanso", obraprima de Moacyr Luz e Aldir Blanc - contribui para que os álbuns figurem entre os melhores da discografia da artista.
(M. F.)