O INÍCIO De Noturno (Rocco, 464 págs., R$ 46,50) é de arrepiar. Um Boeing 777 vindo de Berlim pousa no aeroporto JFK, em Nova York. E, então, para no meio da pista. Persianas fechadas, luzes apagadas, silêncio.
O que a equipe de resgate encontra dentro da aeronave dá frio na espinha. Diretor do exuberante O Labirinto do Fauno e da série Hellboy, o cineasta mexicano Guillermo del Toro mantém o tom sombrio em sua primeira incursão na literatura. Escreve em parceria com Chuck Hogan e exerce seu fascínio por uma figura em voga: o vampiro. Não espere o sanguessuga belo e romântico de Crepúsculo. Del Toro quer assustar, e consegue.
A trama parte da investigação de uma pandemia viral, que transforma pessoas em zumbis sedentos de sangue. Del Toro toca na ferida do "11 de setembro" e usa as ruínas do World Trade Center como o covil de horrendas criaturas.
Também faz ricas descrições da dolorosa metamorfose das vítimas e só perde a mão na segunda fase, quando o suspense dá lugar a uma sanguinolenta caça ao vampiro. Noturno é o primeiro volume da Trilogia da Escuridão. Daí o gosto de quero mais.
Suzana Uchôa Itiberê
Li e gostei Marco Camargo
"Li O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger, por indicação do Washington Olivetto. É simplesmente brilhante" (Editora do Autor, 208 págs., R$ 49,90)
Marco Camargo é jurado de Ídolos, da Record