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O Despertar da Primavera fala de desejos reprimidos no fim do século 19
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O GRITO SUFOCADO DE LIBERDADE da juventude ecoa forte em O Despertar da Primavera, musical que insere sonoridade contemporânea ao texto de Frank Wedekind, que flagra o processo de desestabilização de adolescentes no fim do século 19.
A mistura contrastante entre antigo e contemporâneo soa atraente aos olhos e ouvidos, com Cláudio Botelho respondendo pela fluente versão das músicas (de Duncan Sheik e Steven Sater) para o português, que exprimem desejos reprimidos pela rígida moralidade das instituições e das famílias. Vale destacar a expressiva utilização da cor tanto na iluminação de Paulo César Medeiros quanto nas estampas dos figurinos femininos de Marcelo Pies, que formam belo conjunto com os padronizados uniformes masculinos.
Na direção, Charles Möeller orquestra o espetáculo com a habitual competência. Os atores evidenciam disciplina. Entretanto, por se tratar de um elenco muito jovem, como pede a própria dramaturgia de Wedekind, não é possível detectar trabalhos de interpretação mais personalizados.
(14 anos) Daniel Schenker Wajnberg
Teatro Villa-Lobos - av. Princesa Isabel, 440, Rio, tel. (21) 2334-7153. Até 15/11