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Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe vivem casal que se isola na floresta
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O DIRETOR DINAMARQUÊS Lars von Trier disse que Anticristo foi uma forma de terapia que o ajudou a atravessar uma profunda crise de depressão.
Seu espírito atormentado e doentio brota em cada cena desse filme polêmico e chocante, que, ora é um esplendor estético e sensorial, ora um show de horror explícito. Impossível sair ileso desse pesadelo tortuoso que premiou Charlotte Gainsbourg como melhor atriz em Cannes.
Nicole Kidman já havia comido o pão que o diabo amassou em Dogville, mas a inglesa é de uma coragem assombrosa e se expõe a extremos jamais vistos no cinema. Em uma trama dividida em capítulos, ela e o marido (Willem Dafoe) se isolam em uma cabana na floresta para enfrentar a dor pela morte acidental do filho.
Charlotte se deixa consumir pelo luto enquanto a exuberante natureza ao redor se impõe, deforma a realidade e faz aflorar instintos animais e demoníacos. A razão se esvai, e a obra culmina numa explosão de sangue, com mutilação genital inclusive. Von Trier precisa se tratar.
(18 anos) Suzana Uchôa Itiberê