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O moçambicano é autor engajado que fala das mazelas de seu povo
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O MOÇAMBICANO MIA COUTO é um ourives das palavras. Terra Sonâmbula, O Último Voo do Flamingo, cada obra sua é uma peça delicadamente lapidada. Couto é autor engajado e permeia as histórias com a guerra civil que assolou sua terra natal. Não são poucas as mazelas dessa gente que sobrevive na savana africana. O olhar por sobre seus iguais, contudo, vem embebido de lirismo. Antes de Nascer o Mundo (Companhia das Letras, 280 págs., R$ 42) é uma trama de miudezas, em que os pormenores abundam em significados. Jerusalém é um isolado vilarejo onde vivem Silvestre Vitalício, os filhos, Mwanito e Ntunzi, um tio dos meninos e um serviçal.
Vitalício prega que o mundo acabou e que a mulher - qualquer uma - é a desgraça dos homens. Os garotos acolhem as ordens do pai, mas nem toda negação do passado lhes interdita a lembrança da mãe, Dordalma, morta em misteriosas circunstâncias. A pacata rotina desse clã masculino será abalada por outra figura feminina, Marta. Em uma narrativa dominada por homens, sobra lisonja no poderio que o autor confere a essa personagem simples, porém fundamental.
Suzana Uchôa Itiberê