 |
Filme transporta o público de volta aos anos 30
|
DE COLETE OU SOBRETUDO, com chapéu e óculos redondinhos, Johnny Depp faz um gângster impecável em Inimigos Públicos. A nova produção de Michael Mann é um espetáculo de ação que transporta o público de volta aos anos 30, era de bandidos românticos como o casal Bonnie e Clyde, o chefão Al Capone e o ladrão de banco John Dillinger. Assim como contrapôs Al Pacino e Robert De Niro em Fogo Contra Fogo, aqui o diretor coloca Depp e Christian Bale em lados opostos da lei.
O primeiro como o gatuno Dillinger e o segundo como o agente do FBI Melvin Purvis, líder da força-tarefa que o matou, aos 31 anos. Esse jogo de gato e rato é marcado por assaltos ousados, fugas engenhosas e o romance do criminoso com Billie Frechette - vivida pela francesa Marion Cotillard, de Piaf - Um Hino ao Amor. Mann faz uma minuciosa reconstituição de época. Mescla filtros e cores em uma obra de arte visual. Depp, como sempre, é a plenitude em cena. Nenhum gesto, sorriso ou olhar é aleatório.
O único senão é a narrativa meramente factual. Dillinger era idolatrado como um Robin Hood da Grande Depressão, porque roubava as instituições financeiras que, como hoje, deflagraram a crise. Seu retrato carecia de uma abordagem mais humana.
(Classificação Indicativa: a conferir) Suzana Uchôa Itiberê