- Anuncie
- Assine

 
 
 
Trajetória // Home
 
- Edição Atual
- Anteriores
 
- Imagens
- Frases
- Urgente
- Moda
- Estilo
- Fernanda Barbosa
- Paulo Borges
- Agito
- Aconteceu
- Celebridade
- Reportagens
 
- Cinema
- Música
- Livros
- Teatro
- Gastronomia
- Televisão
 

Atualize-se com a
IstoÉ Gente!




- Fale Conosco
- Expediente
- Anuncie
- Assine
- Loja 3
 

 


Retrato em Preto e Bianco
Expert em matemática e filho de um feirante, o diretor-criativo Giovanni Bianco conta como chegou ao topo e conquistou clientes exigentes, entre eles, a cantora Madonna

Luciana Franca e Gisele Vitória

"Para sair lindo, o trabalho precisa de todo mundo: do maquiador, do cabeleireiro, do stylist, do fotógrafo. Meu trabalho é um liquidificador, se eu não souber bater bem, não vai sair bom", diz Giovanni

Ele não quis esperar. Nasceu no elevador de um hospital no Rio de Janeiro. Curioso e vanguardista, o diretor de arte Giovanni Bianco Meliande mostrou, já no nascimento, que chegou apressado para desbravar e conquistar o mundo. Em sua vida cheia de coincidências, o nome da maternidade no Rio de Janeiro também prometia um destino próspero: Bonsucesso. De fato, êxitos não faltam na trajetória do ex-estudante de engenharia que bandeou para as artes e ficou internacionalmente conhecido.

As imagens dos últimos CDs, turnês e livros de Madonna, o encarte de um álbum de Marisa Monte, as campanhas que transformaram a grife Arezzo e todo o conceito visual das marcas internacionais Dsquared2 e D&G, a segunda linha da Dolce & Gabbana, saíram da mente criativa de Giovanni. "As pessoas às vezes confundem os papéis, mas o meu papel é único: é cuidar da criação e da concepção. Para sair lindo, o trabalho precisa de todo mundo: do maquiador, do cabeleireiro, do stylist, do fotógrafo. Meu trabalho é um liquidificador, se eu não souber bater bem, não vai sair bom", explica. Giovanni costuma tomar para si a frase atribuída a Pablo Picasso que diz que criatividade é 90% transpiração e 10% inspiração.

Workaholic assumido e apaixonado por seu trabalho, as coincidências também ajudam a traçar a vida do diretor. A começar pelo feitiço do M. Todas as suas musas têm a inicial do nome com essa letra do alfabeto. Madonna e Marisa Monte são grandes ídolos, mas Maria Bethânia é o maior de todos. "Eu a amo, desde Álibi (disco de 1978). Não tem explicação." Já realizou o sonho de trabalhar com as duas primeiras e não teve tempo de incluir Michael Jackson, outro M da sua lista, no seu currículo.

Quem o indicou à Madonna foi o fotógrafo Steven Klein, com quem fez um livro sobre a popstar em 2003 e depois foi convidado para trabalhar na turnê Re-Invention. "Foi tudo tão rápido que eu só me dei conta quando já estava trabalhando no set de fotos com ela. Eu tenho um péssimo hábito, que me ajuda muito, de não ficar dando peso a esses nomes e acabo me envolvendo com o trabalho", explico. Mas, às vezes, a porção fã é inevitável. Giovanni diverte-se ao lembrar que num domingo de manhã recebeu uma ligação da própria Madonna. Primeiro achou que era deboche de algum conhecido. "Giovanni, it is Madonna", disse a voz objetiva.

Depois, ele ficou nervoso e, temendo não ter total compreensão do inglês da popstar, pediu para que ela ligasse mais tarde, quando estaria com a equipe reunida no viva-voz, para não perder nem uma vírgula das instruções. E ela ligou. Mas o diretor já estava em seu estúdio rodeado por seus assistentes. Ele não confirma, mas deixa a sensação de que tem a gravação desse telefonema guardada no fundo de algum baú. Giovanni precisava de apoio para não haver mal-entendido. Apesar de ter morado em três países, não fala bem o português, o italiano e nem o inglês. "Falo mal todas as três línguas, corto palavras, confundo, é um desastre. Meus amigos acham que eu criei uma língua, é o 'giovanês'", brinca, aos risos.

Acreditava ter dislexia, mas seu novo professor de inglês, Sam, acabou com a hipótese. "Tenho dificuldade de atenção, de concentração, mas ele diz que eu sei todas as palavras e que sei quando estou errando na pronúncia. Agora estou estudando sério, ele é maravilhoso, tira sotaque, coloca sotaque e faz uma personalização em atores como Robert De Niro e Julia Roberts. Ele não deixa eu falar com as mãos, tenho que ficar com elas para baixo", conta. As aulas diárias transformam-se quase em sessões de tortura para o filho de imigrantes italianos que fica proibido de gesticular.

Ele conta que o primeiro encontro de seus pais, Giovanina e Graziano, foi quando esbarraram seus guarda-chuvas numa escadaria em Santa Teresa, bairro onde foi criado. A trombada rendeu apenas uma troca de palavrões, em italiano, claro. O namoro começou depois, numa festa, quando Nina descobriu que era Graziano o dono da casa que tanto admirava. "Minha mãe olhou para essa casa que meu pai estava construindo e falou: 'feliz é a mulher que vai morar aí'". Dito e feito, ela tornou- se a feliz mulher, mãe de três filhos e que os encaminhou para carreiras tradicionais, como sonhava e mandava a tradição na época. Giovanni, o do meio, entrou na faculdade de engenharia civil, mas largou o curso pela metade. Foi estudar arte no Parque Lage, e aos 22 anos, voou com a passagem de ida e US$ 800 para Milão. Na temporada italiana, visitou um museu pela primeira vez, deslumbrou-se ao pisar no Coliseu e foi à cidade que leva seu nome, San Giovanni Bianco. Em pouco tempo, estava trabalhando num estúdio de desenho e começando sua carreira de designer. Em 2001, partiu para Nova York, onde mora até hoje.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>


Copyright © 2009 - Editora Três Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
ContentStuff Media Solutions | Gestão de Conteúdo | CMS