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Literatura
Escritor à moda antiga
Autor de Fama e Anonimato e A Mulher do Próximo, o norte-americano Gay Talese esteve no Brasil, onde comentou a atuação da mídia no caso Michael Jackson e revelou que não usa internet nem celular

Marina Monzillo foto Julia Moraes/Ag.IstoÉ

Gay Talese é jornalista, escritor, autor do perfil mais famoso de Frank Sinatra e de obras elogiadas como Fama e Anonimato. É, ainda, um dos pais do estilo de escrever nãoficção chamado the new journalism. Mas, acima de tudo, este distinto senhor de 77 anos é um contador de histórias.

Em sua visita ao Brasil, para participar da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, Talese veio também a São Paulo para dar algumas entrevistas e uma palestra. Em todas as ocasiões, aproveitava as perguntas para narrar "causos" que viraram artigos célebres, como o primeiro texto que publicou no The New York Times, quando tinha 21 anos e seu trabalho era entregar mensagens e buscar lanches para os editores.

Ele usou sua hora de almoço para descobrir quem manipulava o letreiro de manchetes luminosas na fachada do prédio do jornal, pegou a máquina de escrever emprestada de um repórter e fez o perfil desse personagem anônimo. Desta forma, dava início a uma carreira marcada por textos que revelam histórias cotidianas como se fosse literatura. "Quando adolescente, lia Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway. Queria fazer o que estes romancistas faziam, mas com não-ficção", contou ele, que defende que ser fiel aos fatos e ter curiosidade é fundamental para sua profissão. "Estou sempre olhando para algo, ouvindo algo de orelhada. Não acho necessário um diploma e sim a vontade de estar com as pessoas, a sabedoria de formular perguntas, a sensibilidade para se aproximar de estranhos."

Ele conta que aprendeu a lidar com o público, de jovens a idosos, de educados a outros nem tanto, ainda criança, por ser filho de comerciantes. "Minha mãe tinha uma loja. Meu pai era alfaiate, não tinha formação, nunca usou uma máquina de costura, fazia tudo com as mãos e era um perfeccionista. Do mesmo jeito que ele não queria fazer um terno que se desmanchasse, eu não quero escrever uma história que se desmanche por falta de precisão." Talese também herdou do pai o gosto por roupas impecáveis e sob medida. Chama a atenção seu estilo de se vestir, com ternos risca-de-giz, lencinhos na lapela, sapatos bicolor e chapéu combinando.

O jornalista também é conhecido por mergulhar a fundo em suas reportagens, o que já lhe rendeu problemas. Na década de 70, resolveu pesquisar a mudança nos hábitos morais da sociedade, que resultaria no livro A Mulher do Próximo. Durante anos, frequentou bordéis, fez amizade com prostitutas e todos os tipos possíveis de "pecadores". Na época, o trabalho abalou seu casamento com a editora de livros Nan Talese. "É preciso quebrar uma barreira, ser mais que um conhecido do entrevistado. Não é tão diferente do que começar um relacionamento amoroso, leva tempo para estabelecer uma relação de confiança", explicou o escritor, que promete mais controvérsia em sua próxima obra, que abordará a união de 50 anos com Nan.

Talese pode ser descrito como um homem moderno e antiquado ao mesmo tempo. É a favor dos direitos civis dos homossexuais, continua focado em temas do momento (recentemente escreveu um artigo sobre a febre de consumo pelos jeans da marca Diesel), mas também não disfarça a aversão à tecnologia: "Não uso internet, não tenho e-mail nem celular. Em sites e blogs, escreve-se muito rápido, fica difícil fazê-lo bem", afirmou. Para se manter informado, Talese ainda é fiel ao The New York Times. "Leio inteiro, demoro duas horas. Vou do caderno de economia aos esportes e às críticas de cinema." E apesar de achar os jornalistas atuais mais refinados do que os do passado, acredita que os profissionais esquecem o principal: a busca pela verdade: "A mídia dramatiza escândalos. Os mesmos jornalistas que cobriram o funeral de Michael Jackson e o apresentam como um santo são os que o acusaram há alguns anos."

Gay Talese, no Masp, em São Paulo: "A mídia dramatiza escândalos. Os mesmos jornalistas que cobriram o funeral de Michael Jackson e o apresentam como um santo são os que o acusaram alguns anos atrás"

 



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