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Os ventos do norte não movem moinhos
Com as assinaturas mais brasileiristas do SPFW, Ronaldo Fraga e Maria Bonita atestam que a identidade da moda nacional pode ser rastreada no nosso sangue latino

Em seu desfile, o estilista Ronaldo Fraga colocou em foco, "a riqueza cultural afetuosa e inesgotável dos povos da América Latina". Na passarela, mulheres vestidas de preto, formas amplas e bordados de caveira

Barrados na Disneylândia

Ronaldo Fraga tem uma capacidade enorme de abordar assuntos polêmicos e incluir comentários políticos em seus desfiles, sem jamais perder de vista a identidade de moda que criou em quase duas décadas de história. Foi assim com o seu desfile anterior sobre a passagem do tempo, no qual colocou idosos e crianças na passarela.

Com o do verão 2009, sobre o Rio São Francisco, e muitos outros. Agora, o estilista mirou a Disneylândia e a América Latina. Sua proposta? Aproximar a "riqueza cultural afetuosa e inesgotável" dos povos do nosso continente, quebrar o complexo brasileiro de renegar o nosso sangue latino. Na passarela, surgem mulheres vestidas de preto, com formas amplas e bordados de caveiras mexicanas, típicas da comemoração do dia "de los muertos". Nos cabelos, bolas pretas remetem às orelhas do Mickey Mouse, ícone máximo de Walt Disney. Os sapatos são embrulhados com panos, no melhor estilo "marmita". O mesmo recurso é usado nos chapéus dos rapazes.

As fronteiras vão sendo abolidas conforme os bordados étnicos e coloridos se misturam às estampas, à medida que as peças são sobrepostas e criam uma Babel de manifestações culturais. O artesanato da Colômbia, os filmes argentinos, o carnaval de Pernambuco, os escritos de Borges, Drummond e Garcia Márquez, tudo se conecta. Impossível não se divertir com as estampas dos vilões da Disney (Maga Patalógica, Bafo de Onça, Irmãos Metralha), em tons pastel. E o que dizer das peças recortadas a laser, como bandeirinhas? Melhor do que ficar descrevendo os looks, é se deleitar com o visual, e decodificar seus significados: o colar de caveira que tem cabeça de Mickey, a cópia de relógio Rolex de tecido bordado, o colar de caixinha de chiclete.

Nos looks finais, as bandeiras dos países mescladas com os personagens de gibi. O cenário, favelizado, fala sobre a quase destruição da cultura latino-americana, que resiste, apesar de tudo. Esta coleção, aliás, será apresentada também, em breve, na semana de moda colombiana, em Medellín.

O artesanato da Colômbia, os filmes argentinos, os escritos de Borges, Drummond e Garcia Márquez traduziram o verão de Ronaldo Fraga
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