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Dama de ferro
Homenageada desta edição do São Paulo Fashion Week, Bethy Lagardère ganha documentário e exposição dos seus vestidos de alta-costura

Bethy Lagardère, 1,80 metro, nascida Elizabeth Pimenta Lucas, em Minas Gerais, e filha do gerente do Minas Tênis Clube, muito jovem já tinha o sonho de ser modelo, numa época em que não havia glamourização nenhuma da profissão e muito menos a enorme compensação monetária de carreiras que ganham dimensão planetária, como acontece hoje. Com seu porte, beleza e simpatia, o caminho foi fácil. Essa bela morena desembarcou na França, em 1972, depois de desfilar para os grandes nomes brasileiros e posar para revistas, entre elas uma tal Ebony, que fotografava de noite e pagava em dólar e que, três anos depois, ela descobriu ser dedicada à cultura negra.

Em Paris, trabalhou com os grandes da alta-costura, com exceção de Chanel, que preferia as nórdicas. Um trabalho um pouco diferente do que fazem as modelos de hoje, já que, além dos desfiles, previa uma jornada nine to five, na cabine, provando roupas e desfilando-as para as clientes. "Quando cheguei a Paris, a primeira coisa da qual senti falta foi a comida da minha mãe. Essa saudade invadiu a minha alma. A nostalgia dos aromas, da mandioca e do ora-pro-nóbis... Tudo me fazia pensar em Minas e em seus sabores. Onde poderia comer um pão de queijo? E a feijoada de sábado? Quiabo com carne moída... Onde encontrar? Não tinha a menor ideia. Sempre me orgulhei de ser mineira e brasileira.

Os mineiros têm uma identificação forte com a sua cultura e são apaixonados por suas raízes. Temos orgulho de nossa gastronomia, de nossa literatura e poesia. Amamos nossos contos, nossas músicas e até mesmo nosso lado caipira", me contou em entrevista. Em 1977, quando estava no auge da carreira, conheceu Jean-Luc Lagardère, um dos homens mais ricos e poderosos da França, e tornou-se sua segunda esposa. O império de Lagardère compreendia nada menos que a Hachette Filipachi Médias, que publica as revistas Elle, Paris Match, Marie Claire e mais 220 títulos; a MATRA , que constrói mísseis, carros, ferrovias urbanas e sistemas aeroespaciais; o Haras d'Ouilly, que criava 220 cavalos de corrida puro-sangue; e ainda parte considerável da EADS, empresa franco-germânica que produz o Airbus. Linda, rica e divertida, Bethy tornou-se o centro das atenções nas mais diversas esferas e lidava com a mesma desenvoltura com premiers, artistas e pessoas da moda.

Sua elegância a tornou ainda mais conhecida. Não é sempre que dinheiro, poder e bom gosto caminham juntos, mas em Bethy eles eram inseparáveis. A ponto de, num tapete vermelho no Festival de Cannes, sua chegada com um modelo Cardin cor de cobre ser celebrada com exclamações do tipo: "Até que enfim um vestido!". "Não sou narcisista. Mas nasci para fazer charme para um poste", ela brinca. Depois de 25 anos de um casamento idílico, em março de 2003, devido a uma complicação numa cirurgia simples na bacia, Jean-Luc faleceu subitamente, deixando uma fortuna de ? 320 milhões. A exuberante locomotiva, acostumada a um mundo de viagens, almoços, jantares, estreias e festas, descarrilou. Bethy entrou em depressão. Obviamente, sua depressão foi elegante no mesmo diapasão de sua alegria.

Nessa fase, contou com o apoio de Nicole Wisniak, editora da lendária Egoïste, que havia perdido o marido e seu fotógrafo principal, Richard Avedon, no mesmo ano, e de outra grande amiga, Leila Menchari, a talentosa designer das vitrines da Hermès desde 1977. Para cuidar de sua tristeza, fechou as portas da casa em Paris e mudou-se para Tanger, no Marrocos. Por dois anos, cultivou um jardim, chegando a plantar dois mil pés de hortênsias azuis por dia. "Achei que se pudesse cultivar a terra, que foi o que fiz esse tempo todo lá, me sentiria melhor." O resultado é um jardim de sonho, do qual ela tem grande orgulho. "Alguma coisa você tem que legar. Precisa deixar uma marca, em algum lugar, e com prazer." É também dessa época sua hoje marca registrada: a mecha branca no cabelo, que resolveu deixar crescer em homenagem à memória do marido.

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