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MARCELO pilotando sua pickup doméstica. Sofá, da Artefacto e espelho, de Bali.
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No jardim, o chuveiro foi coberto por uma madressilva. Toque politicamente correto do paisagista. A árvore grande (à esq.) é uma Pandanus - planta escultórica de forma solitária. As folhas têm forma de hélice.Marcelo com Luanda, no jardim.
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Ao lado, um dos espaços do piso superior da casa, cores vibrantes e clima de lounge
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HÁ TRÊS SEMANAS do dia de seu aniversário, o arquiteto e paisagista Marcelo Faisal está completamente agitado. Pelo telefone, contrata fornecedores, discute repertório, as flores, e dispara convites sem parar. Convites não, convocações. E a resposta, do outro lado da linha, é sempre positiva.
Na sala principal da casa, construída nos anos 1970 pelo arquiteto Carlos Pompeu de Toledo, há uma pickup instalada e imensas caixas de som. Isso já é para a festa? "Não, a mesa de som é permanente aqui, já faz parte da sala." A resposta é dada ao mesmo tempo em que liga o equipamento, Mart'nália e sua voz rouca a toda. Faisal é assim, festeiro por natureza. Já não bastasse a sua imensa disposição em reunir amigos - "desta vez serão apenas 300", diz, rindo - ele agora resolveu virar DJ, profissionalmente.
Nos últimos meses, divide seu tempo entre os projetos de paisagismo e os eventos onde incorpora o personagem debruçado em CDs e LPs, com headphones acolchoados nas orelhas e o dedo indicador marcando o beat das músicas "Tenho bons sets. A minha música é muito melhor do que a minha técnica", diz, fazendo a linha modesto.
Mas, vamos à casa: Faisal ocupa uma confortável residência no bairro do Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, pela segunda vez. A primeira se confunde com a própria infância. Ele viveu ali dos 11 aos 18 anos, ao lado dos irmãos e dos pais. Depois de um longo período fora, voltou a morar na casa da família, dessa vez, sozinho.
O projeto é típico das casas feitas para serem "vividas", extremamente funcional, com níveis diferentes que geram vários espaços. Na visão de Faisal, hoje a casa tem uma excelente "dinâmica para festas". Dos seus tempos de menino não há muitas mudanças na geografia do lar. Faisal mudou apenas o décor e o jardim, claro. É exatamente a parte verde que cabe naquele latifúndio urbano que evoca o clima de sítio em plena cidade.
Ele se orgulha em fazer projetos simples, organizados e tecnicamente corretos. É contra as piscinas por exemplo. "Por que não um chuveirão no jardim? Gasta menos água", provoca. Em seu jardim particular, aliás, o chuveiro é coberto por uma madressilva. Bananeiras e palmeiras também compõem a paisagem vista da sala de estar. Um espelho nos fundos do terreno provoca profundidade e esparrama a cor por onde o olhar não alcança.
O espírito ecumênico permite a convivência pacífica entre imagens e símbolos de diferentes crenças e religiões. Muitos estão por ali: São Jorge, Buda, Iemanjá. As flores são colhidas ali mesmo no jardim e nada é muito certinho. "Gosto do improviso, do precário, do que funciona; acho isso superior à beleza", diz Faisal, mostrando uma sapata de ferro recolhida do lixo.
E completa com uma citação do francês Marcel Duchamp (1887- 1968), o pai do ready made, o cotidiano transformado em beleza: "A arte está na retina e não no objeto; a arte se dá na forma como se olha..." Olhando em volta, na simplicidade daquele oásis verde e na sensação agradável que ele provoca, é isso mesmo: O bonito está no que se vê.
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