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Matheus diz que o protagonista, Santinho, é seu alter ego
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Em que momento decidiu a história que seria o seu primeiro filme?
Nunca planejei ser cineasta. O tema teve de se impor, no caso, o da ausência da mãe, da superação dos lutos. Tinha ideia de fazer algo documental. Depois, vi que o personagem era meu alter ego, um menino sem mãe que se torna "especial". Isso me fez dizer: "Tenho a minha história para contar."
Você diz que é seu alter ego, mas o personagem, Santinho, é cruel...
Não é um retrato preciso. Ele é sensível e, por causa da falta da mãe, age histericamente. Como ele, também fui escolhido para realizar "cerimônias", desejo ser amado. O filme é uma ficção sobre o menino tornado santo porque é um desgraçado.
Você pensou em interpretar Santinho. Por que desistiu?
Percebi que seria incapaz de dirigir e incorporar o Santo. Não tinha a frieza de ser racional, como diretor e, ao mesmo tempo, possuído do Santo. E me lembrei do Daniel de Oliveira, que é inteligente, tem uma entrega muito grande. Foi um caso de amor. Fiquei apaixonado pelos atores do filme, um sentimento erótico mesmo.
Pretende dirigir outros filmes?
Quero, mas precisam ter a mesma urgência. Foi muito duro fazer um filme, escrever, captar dinheiro, ficar sóbrio nas filmagens e na montagem. Agora, estou com saudade de teatro, que não faço há muitos anos.
(18 anos) Aina Pinto
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