AROMA DO BOLO DE BANANA recém-saído do forno invade a casa no bairro da Vila Mariana em São Paulo. Mas a surpresa é descobrir que quem preparou o doce foi a dona da casa, a atriz Rachel Ripani, cozinheira de mão cheia com direito até a diploma de gastronomia. A dedicação às panelas serviu como fuga da paulistana, depois do que ela chama de "crise existencial", que provocou um hiato na carreira televisiva. Quando terminou de gravar a novela Zazá, em 1998, sua estreia na tevê contracenando com Fernanda Montenegro e Fernando Torres, Rachel decidiu parar. "Eu achava que estava me vendendo para o sistema", conta ela, que cresceu nos palcos ao lado de monstros consagrados como Antunes Filho e Paulo Autran e cheia de dogmas.
"Quando eu voltei para São Paulo depois da novela, queria fazer um outro tipo de arte." Encontrou a expressão artística que buscava na cozinha. Mas a paixão pela gastronomia surgiu um pouco antes de Zazá, quando ela passou uma temporada em Londres para estudar dramaturgia. Na capital inglesa, a paulistana sentiu falta de comer sentada à mesa rodeada por pessoas, como no Brasil. "Lá, eles não têm esse costume. Todos comem sozinhos." Decidida a quebrar o hábito britânico, ela colocou literalmente a mão na massa e aprendeu a cozinhar. "Era um jeito para que meus amigos viessem comer comigo", lembra.
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Em sua casa, em São Paulo, a atriz prepara um bolo de banana. "Queria fazer um outro tipo de arte", diz, sobre a incursão na gastronomia
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De volta à Rede Globo no papel da sexy Tatiana de Caras & Bocas, Rachel ainda lança mão da mesma arma usada em Londres para conquistar seus amigos de elenco e produção. Sempre que pode, já que vive na ponte aérea Rio-São Paulo, ela leva delícias como brownies, cookies e tortas para os estúdios do Projac. Fã da culinária francesa, a atriz foge à regra dos bistrôs: cozinha em proporções exageradas.
Numa recente empreitada como chef, tentou emplacar um jantar francês na casa da colega Ingrid Guimarães para uma turma de amigos. À noite, seguiu como manda o figurino, com queijos, vinhos, entrada, salada, dois pratos quentes, sobremesa e licor. Mas ao fim do primeiro prato, ninguém aguentava comer mais nada. "Dizem que eu faço comida francesa em proporções de comida italiana", diverte-se.
Ao contrário da personagem que sofre por um amor platônico, Rachel está com o coração livre. Aos 33 anos, brinca que ela e as outras bonitas solteiras da novela, Sheron Menezes e Julia Lund, estão preparando uma campanha pró-marido. "Sugeri que a gente se reunisse no Dia dos Namorados para jogar War e comer chocolate", conta. Bem-humorada e multifacetada, Rachel levou mais de dez anos para voltar aos estúdios do Projac. Nesse meio tempo, atuou em inúmeras peças, novelas no SBT e na Rede Bandeirantes, e musicais como Grease, uma de suas especialidades, e ainda explorou o lado escritora e tradutora.
É dela a adaptação para os palcos da nova versão nacional do filme Closer, no qual interpretou a sexy striper eternizada no cinema por Natalie Portman. Acostumada a papéis picantes, Rachel admite que ficou com vergonha ao aparecer em Caras & Bocas vestindo apenas calcinha e sutiã. "No camarim, eu comentei com uma amiga antes da cena: 'já estou aqui na sua frente, lá no estúdio são o quê? Mais 15, 20 pessoas?' Aí ela me respondeu: e mais uns 10 milhões em casa", lembrou, ruborizada.